Mianmar terá que se abrir se quiser mais ajuda após ciclone

Nações ocidentais lideradas pelosEstados Unidos pediram a Mianmar que cumpra a promessa deadmitir trabalhadores voluntários estrangeiros, dizendo queauditorias internacionais dos danos causados pelo cicloneNargis são necessárias antes de mais ajuda. Em um gesto de boa vontade condicional ao país comandadopor uma junta militar, Washington disse estar preparado paraoferecer mais de 20,5 milhões de dólares em ajuda após ociclone de 2 de maio que deixou 134 mil mortos ou desaparecidose outros 2,4 milhões de desabrigados. "Mas para fazê-lo, o governo precisar permitirespecialistas internacionais em assistência internacional adesastres para conduzir avaliações completas da situação",disse o enviado norte-americano Scot Marcial, em umaconferência sobre assistência na antiga capital. Três semanas após Nargis atingir o delta do Irrawaddy, asNações Unidas afirmaram que três em cada quatro pessoas quemais precisam de ajuda ainda não receberam socorro e que a fomee doenças podem elevar o número de mortos se a situação nãomudar. Enquanto isso, a junta afirma que a fase de socorro aodesastre já terminou. O primeiro-ministro Thein Sein agradeceu aos 500 delegadosde 50 países pela ajuda dada até o momento. Ele disse queseriam bem-vindos desde que por "boa vontade genuína" e "desdeque não haja condições ou politização envolvidas". A China e outros países asiáticos afirmaram na conferênciaser importante manter assistência e política separadas ao lidarcom os militares que administram o país nos últimos 46 anos. O desastre, um dos piores ciclones a atingir a Ásia, forçouos reclusos generais da ex-Birmânia a dialogar com osestrangeiros, mas os militares apenas conseguiram superar emparte sua desconfiança do exterior. O chefe da junta Than Shwe prometeu ao secretário-geral daONU, Ban Ki-moon, durante sua visita, que todos os voluntáriosestrangeiros seriam admitidos, mas há poucas chances de osnavios da Marinha dos Estados Unidos e da França próximos aodelta conseguirem permissão para entrada. Thein Sein disse que apenas navios civis teriam permissãopara navegar em Mianmar. Ban Ki-moon afirmou que as proibições eram "um sérioobstáculo para a organização de operações de ajuda eassistência efetivas", mas acrescentou que o governo pareciaestar se movendo em direção à "implementação desses acordos".

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