Metas para Copenhague são realistas, diz analista da Embrapa

Governo projeta redução de uma área de aproximadamente 10 milhões de hectares voltadas para pastos

Célia Froufe, da Agência Estado,

17 Novembro 2009 | 11h59

As metas agropecuárias brasileiras de redução de emissão de gases de efeito estufa, que serão levadas à conferência internacional sobre mudanças climáticas, em Copenhague, em dezembro, são realistas e permitem espaço para negociação pelo Brasil nos próximos 50 anos. A avaliação foi feita pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que coordena um grupo de estudos sobre alterações no clima, Eduardo Assad. O governo anunciou na última sexta-feira que a meta de corte de gases será de 36% a 39%, dos quais uma fatia de 4,9% a 6,1% estão a cargo da agricultura.

 

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"Não é uma meta tímida, é realista. O governo está colocando no papel uma coisa que é possível de se fazer. Se o governo optasse por aumentar muito esses porcentuais, haveria uma quebradeira no setor", considerou o pesquisador. "Além disso, não se pode fazer tudo de uma só vez. Até porque é preciso ter margem para negociar nos próximos 50 anos", acrescentou.

 

Pelos cálculos de Assad, as metas para a agropecuária significariam, na prática, a redução de uma área de aproximadamente 10 milhões de hectares voltadas para pastos de um total de 170 milhões de hectares disponíveis hoje para a criação de gado. "Isso mostra que o Brasil tem muito a avançar", afirmou. Ele defende, inclusive, que o País passe a produzir mais carne bovina por meio da produção intensiva - e não extensiva, como é feito na maioria dos casos hoje -, no intuito de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. "Nossa capacidade de suporte é muito baixa, é de menos de uma cabeça de gado por hectare", calculou.

 

O ideal, de acordo com o pesquisador da Embrapa, é que haja um grande avanço neste momento da integração da lavoura com a pecuária, um dos itens que já são apontados pelo Ministério da Agricultura como forma de reduzir a emissão de gases. "É preciso recuperar pastos com a produção de grãos e reduzir o desmatamento", acrescentou.

 

Assad admitiu que essa integração é mais complicada do que pode parecer, no início, porque o pecuarista teria de obter expertise na cultura de grãos, por exemplo, para fazer a união das duas atividades, com o objetivo de que uma complete a outra. "Por isso é preciso que o governo se empenhe na transferência de tecnologias para o campo."

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