Metas já anunciadas por países podem evitar desastre climático, diz estudo

Diferença entre o que governos propõem e cientistas recomendam é pequena, afirma especialista inglês Nicholas Stern

Reuters

06 Dezembro 2009 | 18h59

O mundo está a um passo de chegar a um acordo capaz de evitar os piores efeitos do aquecimento global, afirma um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas neste domingo, na véspera da Conferência sobre o Clima de Copenhague (COP15). O estudo levou em consideração metas de corte na emissão de poluentes divulgadas por países de todo o mundo nas últimas semanas.

“Quem considera impossível um acordo em Copenhague está simplesmente errado” disse Achim Steiner, diretor do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep). A ONU e o especialista inglês Nicholas Stern afirmam no relatório que a diferença entre as metas já anunciadas de corte na emissão de poluentes e o volume considerado necessário pelos cientistas é relativamente pequena, de alguns bilhões de toneladas.

O estudo afirma que o mundo precisa limitar as emissões a 44 bilhões de toneladas por ano até 2020 para manter o aumento da temperatura neste século em 2 graus (calculados com base no período pré-Revolução Industrial), patamar considerado aceitável pela maioria dos cientistas. Se efetivamente adotadas, as metas já anunciadas por países ricos e em desenvolvimento permitirão reduzir as emissões a 46 bilhões de toneladas por ano. Nas últimas semanas, houve anúncio de metas de corte por parte de países que lideram o grupo dos maiores poluidores, como Estados Unidos, China, Índia, Brasil e Indonésia.

O relatório estima em 47 bilhões de toneladas o volume de poluentes lançado na atmosfera anualmente. Se nada for feito, diz o estudo, as emissões podem superar 55 bilhões de toneladas até 2020.

Apesar do otimismo dos autores do estudo, especialistas têm alertado que as metas já anunciadas não são suficientes, porque é preciso garantir que haja uma queda nas emissões globais após 2020. Steiner disse que isso pode ser conseguido com a redução da poluição provocada pela aviação e pela indústria de navegação e pela preservação de florestas capazes de capturar o gás carbônico lançado na atmosfera.

“Ainda existe uma lacuna significativa, mas as pessoas superestimam a impossibilidade de resolver essa questão”, disse Steiner. “Pode se dizer que estamos a apenas alguns bilhões de toneladas de chegar a um acordo em Copenhague que atenda ao objetivo de chegar a emissões de 44 bilhões de toneladas em 2020. Isso indica que, se os líderes mundiais querem chegar a um acordo, eles têm os instrumentos para chegar a ele.”

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