Metas do Milênio deveriam incluir questão energética, diz ONU

Países em desenvolvimento precisam agir contra a 'enorme lacuna' no fornecimento de energia, diz líder do IPCC

MATTHIAS WILLIAMS, REUTERS

21 Janeiro 2009 | 15h54

O fornecimento de energia aos pobres deveria constar das Metas de Desenvolvimento do Milênio e uma "negligência evidente" ao setor está prejudicando a luta mundial contra a pobreza, disse nesta quarta-feira o indiano Rajendra Pachauri, chefe do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU). Pachauri afirmou que os países em desenvolvimento, como a Índia, precisam agir contra a "enorme lacuna" no fornecimento de energia à população pobre, ao mesmo tempo em que devem se preparar para os efeitos agudos da mudança climática. Pachauri, cujo painel dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Al Gore em 2007, disse que satisfazer as necessidades de energia dos pobres deveria constar da lista das Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), quando a questão foi debatida em uma importante reunião de cúpula há mais de seis anos. "Como resultado da insistência dos governos de alguns países, na verdade do governo de apenas um país, todo o setor de energia foi retirado das Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM)", disse Pachauri em um seminário em Nova Délhi. "Hoje a energia permanece como a MDM que falta." A questão energética foi discutida na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Johanesburgo, em 2002, disse Pachauri, sem especificar quais países barraram a inclusão do tema nas metas. "Sem a previsão de fornecimento adequado e apropriado de energia... permaneceremos distantes do desejado e do que precisamos alcançar para a eliminação da pobreza nas áreas rurais ao redor do mundo", afirmou Pachauri. No mundo, hoje, 1,6 bilhão de pessoas vivem sem eletricidade, causando impacto à saúde, educação e capacidade de trabalho delas, disse Pachauri.

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