Metas de redução e financiamento são pontos chave

Dois números definirão sucesso ou derrota em Copenhague: toneladas de carbono e bilhões de dólares

Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2009 | 18h12

A diferença entre sucesso e fracasso em Copenhague será definida por dois números. O primeiro, medido em porcentagem de toneladas de carbono, é quanto os países desenvolvidos se comprometerão a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa até 2020. O segundo, medido em bilhões de dólares, é quanto esses mesmos países vão repassar às nações menos desenvolvidas como ajuda financeira para esforços de desenvolvimento limpo e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

 

Sem esses números, digam o que quiserem, Copenhague terá fracassado. Sem uma meta clara – e legalmente vinculante – de redução de emissões por parte dos países ricos, dificilmente haverá pressão política, social e econômica suficientes para colocar em marcha as mudanças radicais de comportamento e desenvolvimento necessárias para reverter a tendência de aquecimento da atmosfera. Sem ajuda financeira e tecnológica, os países mais atingidos pelas mudanças climáticas – justamente os mais pobres – dificilmente terão condições de sobreviver a ela.

 

Por que em Copenhague? Por que agora? Qual o problema de adiar a decisão por mais alguns meses? De fato, o mundo não vai acabar por causa de mais seis meses ou até um ano. Mas não é todo dia que se consegue reunir 30 mil pessoas, incluindo dezenas de chefes de Estado, dos mais pobres aos mais ricos países do mundo, unidas por um mesmo objetivo, numa capital gelada da Europa, para resolver um problema global, de longo prazo, que extrapola os limites de qualquer mandato político.

 

A pressão está posta. Copenhague é o lugar. E o momento é agora. Não há dúvida de que muita coisa terá de ser definida mais adiante. Como toda grande lei, o novo tratado climático terá de ser regulamentado e detalhado de diversas formas. Mas tudo depende desses números. Um fracasso em Copenhague será um tombo do qual as negociações e as expectativas do mundo poderão não se levantar.

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