Metano misturado a óleo no Golfo do México ameaça ecossistema

Gás natural pode levar ao surgimento de zonas mortas no mar, inabitáveis para os peixes

Associated Press

18 Junho 2010 | 12h46

Trata-se de um perigo negligenciado na crise do vazamento de petróleo: o óleo cru que transborda do poço contém grandes quantidades de gás natural, o que pode representar uma séria ameaça para o ecossistema do Golfo do México.

 

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O óleo que emana do fundo do mar contém cerca de 40% de metano, contra 5% dos depósitos normais, disse o oceanógrafo John Kessler, que está estudando o impacto do gás gerado no vazamento.

Isso significa que grandes quantidades de metano entraram no Golfo, dizem os cientistas. O gás tem o potencial de sufocar a vida matinha e criar "zonas mortas", onde o oxigênio dissolvido na água é tão pouco que nada consegue sobreviver.

 

"Esta é a erupção de metano mais intensa da história moderna", disse Kessler.

 

O metano é uma substância incolor, inodora e inflamável, e um componente importante do gás natural usado como combustível. Empresas geralmente queimam o excesso de metano antes que o óleo seja levado para a refinaria. É exatamente o que a British Petroleum tem feito ao capturar mais de 28 milhões de litros do vazamento.

 

Um porta-voz informa que a BP queima cerca de 850.000 metros cúbicos de gás  natural vindos do vazamento ao dia, o que gera um total acumulado de 12,7 milhões de metros cúbicos desde que o esforço de contenção teve início, há 15 dias. Mas o número não contempla o gás que escapou da contenção e acabou na água.

 

O gás vem desempenhando um papel importante ao longo da crise. Acredita-se que uma bolha de metano tenha causado a explosão que desencadeou o desastre. Cristais de metano entupiram uma caixa de contenção que foi a primeira tentativa da BP de controlar o vazamento. Agora, ele passa a ser encarado como um problema ambiental.

 

Micróbios que vivem na água consomem parte do óleo e o metano. A abundância de alimento faz com que se reproduzam cada vez mais, o que pode acabar esgotando o oxigênio disponível para a vida marinha.

 

No início de junho, uma equipe de pesquisadores liderada por Samantha Joye, da Universidade da Georgia, investigou uma mancha de óleo submarina de 21 km de extensão, que se movia para sudoeste do local do vazamento. Os cientistas disseram que as concentrações de metano ali eram 10.000 vezes maiores que o normal, e que os níveis de oxigênio haviam caído em 40%.

 

Partes da pluma tinha níveis de oxigênio à beira da que reduz uma parte do oceano ao estado de "zona morta", inabitável para peixes e crustáceos.

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