Meta da China permite aumento em emissões, critica Eurofer

Segundo a entidade, elevação das emissões pode chegar a 90% tomando como base o crescimento chinês

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

01 Dezembro 2009 | 15h27

O plano da China de reduzir em até 40% a 45% suas emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB até 2020, comparado aos níveis de 2005, permite que o país, na verdade, aumente as emissões em até 90%, criticou a Confederação Europeia das Indústrias de Ferro e Aço (Eurofer). Embora reconheça o compromisso da China, "precisamos apontar que isso ainda levaria a um aumento nas emissões de dióxido de carbono de 75% a 90% em 2020, ou 5,5 bilhões a 6,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, que é mais do que o total de emissões da União Europeia hoje", afirmou a Eurofer.

 

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Segundo a nota, em 2007 a União Europeia emitiu 5,05 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. O cálculo da confederação toma como base o crescimento esperado do PIB da China de 8% em média por ano, de 2005 a 2020. Segundo relatório do Congresso dos EUA, as emissões de dióxido de carbono da China em 2005 eram de 5,77 toneladas per capita, com total de 7,53 bilhões de toneladas.

 

"A China adotaria cerca de 23,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2020 como base para calcular seu objetivo. Como resultado, em 2020 emitiria 13,1 a 14,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o que representa um aumento nas emissões de 5,57 bilhões a 6,77 bilhões de toneladas, ou 74% a 90% comparado a 2005", afirmou.

 

A Eurofer argumenta que, para conquistar qualquer avanço significativo na redução das emissões, a China e outros países emergentes precisam se comprometer com as mesmas reduções que os países desenvolvidos.

 

Na semana passada, a indústria já havia divulgado nota pedindo aos formuladores de política que participarão das negociações sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro, que assegurem que tanto os países desenvolvidos quanto os emergentes sejam tratados igualmente em qualquer acordo internacional proposto para redução de emissões de carbono.

 

"Economias emergentes como a China, Índia e Brasil têm de longe as mais elevadas projeções de crescimento para a produção de aço nas próximas décadas. Sem uma participação total das indústrias siderúrgicas deles, as emissões globais de dióxido de carbono provenientes da produção de aço vão aumentar, e não diminuir", disse a Eurofer na semana passada.

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