Mesmo próxima, Ilhabela também abriga espécies diferenciadas

Região está se revelando como uma incubadora igualmente fértil de espécies diferenciadas do continente

Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo,

27 Dezembro 2008 | 17h25

A regra geral da biogeografia de ilhas diz que, quanto mais distante da costa, maior o isolamento das espécies e maior o grau de endemismo em comparação com o continente. Isso funciona bem para as Ilhas de Queimada Grande e Alcatrazes, que estão a mais de 30 km da costa. Já a Ilha de São Sebastião - mais conhecida como Ilhabela, um dos pontos turísticos mais visitados do litoral paulista - não se encaixa perfeitamente no modelo. Apesar de estar muito próxima da costa, Ilhabela está se revelando uma incubadora igualmente fértil de espécies diferenciadas do continente. O biólogo Ricardo Sawaya, do Instituto Butantã, está trabalhando na descrição de duas espécies de anfíbios e um réptil que, ao que tudo indica, só existem nas florestas de altitude da ilha, cujo pico está mais de 1.400 metros acima do nível do mar. O trabalho mais avançado, já submetido para publicação, é o de uma nova espécie de cobra-cega. "O mais inusitado é que a espécie do continente é muito comum no planalto paulista, mas não ocorre na face litorânea da Serra do Mar", observa Sawaya. "Isso mostra o quanto a fauna de Ilhabela é particular." A ilha é separada do continente por um canal de apenas 3 km - o que é pouco para uma travessia de balsa com carro, mas pode ser uma barreira tão intransponível quanto os 30 km de mar aberto de Alcatrazes e Queimada para espécies que não sabem nadar, voar ou dirigir. Sawaya aponta para outra curiosidade: nas matas de Ilhabela vivem quatro espécies de cobras dormideiras, três das quais não são encontradas na mata atlântica do litoral paulista (apenas em outros Estados). A ilha também não tem palmito nativo, apesar de a espécie ser amplamente distribuída pela mata atlântica no continente. "Há algum fenômeno biogeográfico que está agindo na biodiversidade da ilha e que ainda não entendemos completamente", afirma Sawaya. Sua próxima meta é estudar as espécies das ilhas vizinhas Búzios e Vitória. "Nossa expectativa é que tenha coisas até mais diferenciadas lá."

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