Leonardo Bueno
Leonardo Bueno

Mero está protegido apenas até 2015

Ambientalista defende que o veto à caça da espécie seja prorrogado por mais dez anos

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h08

Publicada no Diário Oficial há duas semanas, a prorrogação do veto à caça do mero garantiu a proteção da espécie até 2015. Mesmo com a captura proibida desde 2002, o animal, cujo peso pode chegar a meia tonelada, ainda deve levar mais que três anos para deixar a posição de "criticamente ameaçado" na lista vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza (UICN, da sigla em inglês).

Coordenador do projeto Meros do Brasil durante dez anos, Maurício Hostim afirma que o pedido inicial dos pesquisadores é de que a proibição fosse prorrogada por mais dez anos.

"Não há justificativa técnica para ter prorrogado por apenas três anos. O mero não atinge a maturidade sexual antes de cinco anos", afirma Hostim, lembrando que cada indivíduo pode viver por até 50 anos. "É preciso avaliar por um período mais longo e certamente o prazo será prorrogado novamente."

De acordo com o pesquisador, não haveria grande impacto caso a proibição fosse estendida até 2022. "Não é um peixe do qual existam comunidades dependentes", afirma.

Além das questões referentes ao ciclo reprodutivo do mero, a preocupação de Hostim se sustenta pela quantidade insuficiente de pontos de monitoramento - são apenas dez deles no País, segundo ele. "A portaria (que proíbe a caça) estaria garantida se houvesse esta vigilância. Onde não há monitoramento, não há fiscalização", alerta.

A instrução normativa dos Ministérios do Meio Ambiente e da Pesca determina que os pescadores que descumprirem a proibição terão os animais apreendidos e pagarão multa que varia entre R$ 700 e R$ 100 mil, acrescida de R$ 20 por quilo do pescado e outros R$ 40, no caso de venda ilegal. O infrator ainda pode receber pena de um a três anos de detenção, além de ter cadastros e licenças de atividade pesqueira cancelados.

Caso o mero seja capturado de maneira acidental, durante a pesca de outras espécies, terá de ser devolvido imediatamente à água - a normativa vale também para os indivíduos que forem capturados mortos. Além disso, o pescado deve registrar o fato nos mapas de bordo das embarcações.

Hábitat

Hostim, que hoje coordena o projeto Meros do Brasil apenas no Espírito Santo, afirma que o peixe era abundante no País até o século passado. "Ele possui uma carne saborosa, parecida com a garoupa", explica.

A semelhança com a garoupa, por sinal, não fica apenas no sabor. As características naturais semelhantes têm sido exploradas pelo Instituto de Pesca de São Paulo, que desenvolveu um método de reprodução em cativeiro para garoupas e agora tenta repeti-los com os meros.

"Outro problema é que no País há pouca proteção aos manguezais, que é onde o mero se reproduz. Se não forem garantidas as boas condições desses locais, a proibição da caça terá pouco efeito", afirma Hostim.

Ele diz, porém, que já há sinais de avanço. Em locais de Santa Catarina onde não havia indicações de ocorrência da espécie, recentemente foram avistados grupos de até 40 indivíduos reunidos em época de reprodução.

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