Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Meio ambiente é ativo para pequeno negócio ganhar competitividade

Empreendedores veem como vantagem adotar uma visão socioambiental, pensando no que precisa ser feito para a coletividade

Samuel Antenor, especial para o Estado

23 Outubro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Um dos segredos para que pequenos empreendedores ganhem competitividade pode ser a inserção de ações sustentáveis nos negócios. A observação foi feita durante o painel Empreendedorismo e Inovação para o Meio Ambiente, no Fórum Estadão Sustentabilidade

“Um ponto primordial é que empreendedores vejam problemas como desafios e aprendam a lidar com as dificuldades enquanto crescem”, disse Suzana Padua, presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). 

Ela destacou que um diferencial para quem empreende é desenvolver uma visão socioambiental de sua atuação, pensando no que precisa ser feito para a coletividade. “A sustentabilidade é uma maneira de se relacionar com a comunidade, de atingir positivamente outras pessoas e instituições. Nas pequenas empresas é um diferencial.” 

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Temos de valorizar a força das pessoas que acreditam em seus princípios. E precisamos melhorar a comunicação do empreendedorismo.
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Suzana Padua, presidente do IPÊ

Para Helen Camargo de Almeida, coordenadora do Núcleo de Inovação e Articulação Institucional do Centro de Sustentabilidade do Sebrae, empreender é um estado de espírito. “O empreendedor não está só na empresa, mas em todos os lugares onde atua. É alguém engajado, em múltiplos sentidos”. Ela defende que o empreendedor precisa, sobretudo nos pequenos negócios, ter disposição para ser colaborativo, inserindo-se na comunidade, identificar práticas que já sejam sustentáveis e buscar informações disponíveis para aplicar em seu negócio. 

Outra chave importante é procurar, nas áreas pública e privada, um ambiente adequado à atividade e que ofereça incentivo ao empreendedorismo, afirmou Mercedes Blásquez, líder do projeto Low Carbon Business Action, iniciativa financiada pela União Europeia para envolver pequenas e médias empresas no Brasil na diminuição da emissão de gases-estufa e promoção de empregos. 

“A taxa de não sucesso entre os empreendedores ainda é muito alta. Por isso deve-se buscar apoio, e parceiros internacionais podem trazer tecnologias novas e diferentes maneiras de ver o negócio”, recomendou, sugerindo aos empreendedores buscar programas de parcerias internacionais disponíveis.

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Todas as empresas que apoiamos, para que possam poluir menos, são pequenas. É possível ter uma mudança sem ser uma grande empresa.
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Mercedes Blásquez, líder do projeto Low Carbon no Brasil

Solitário

A medida parece adequada sobretudo por ser o empreendedorismo uma atividade solitária, disse Alexandre Alves, general partner da Inseed Investimentos, que atua na formação de portfólios e no desenvolvimento de inovação de impacto social. “O empreendedor vê um problema e tenta resolver, mas para isso é preciso ter capital. Junto com o investidor, vem a governança, o que faz toda a diferença.” Para ele, cada vez mais, o investidor busca canalizar seu investimento em negócios equilibrados, com responsabilidade social e ambiental. 

“O caminho do social é difícil, mas indicadores de governança de mercado de capitais geram confiança. Empreendedorismo e inovação de impacto são as melhores formas de cuidar da sustentabilidade”, disse.

Segundo Helen, essas questões já são vistas como estratégia. “Pesquisa do Sebrae mostrou que os pequenos empreendedores buscam primeiro resolver assuntos de conformidade legal e licenciamento, mas que sustentabilidade vem em seguida, quando percebem que podem ser mais competitivos.”

Avaliação

No desenvolvimento de um novo projeto é preciso ser engajado não só na empresa mas também junto à comunidade em busca de soluções.

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