Fred Thornhill/Reuters
Fred Thornhill/Reuters

Mark Ruffalo, o Hulk, defende Leonardo DiCaprio e critica Bolsonaro por Amazônia

Segundo ator americano, presidente está 'transformando em bode expiatório as pessoas que protegem a Amazônia das queimadas'

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 09h46

SÃO PAULO - O ator americano Mark Ruffalo - famoso por interpretar o personagem Hulk no cinema - criticou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por acusar, sem apresentar provas, o ator americano Leonardo DiCaprio de financiar organizações não governamentais (ONGs) responsáveis por "tacar fogo" na Amazônia.

"Bolsonaro e sua turma estão transformando em bode expiatório as pessoas que protegem a Amazônia das queimadas que ele mesmo permitiu que acontecessem", escreveu Ruffalo em sua conta no Twitter na noite deste domingo, 1º. Pergunte a si mesmo: o que mudou recentemente no Brasil para que isso acontença agora? Bolsonaro e suas políticas (não) ambientais."

Veja abaixo a publicação de Ruffalo:

Sem apresentar provas, Bolsonaro havia ligado o ator às queimadas na floresta durante transmissão nas redes sociais, na quinta-feira, 28.

"Tira foto, manda para ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e ele doa US$ 500 mil (cerca de R$ 2,1 milhões) para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia", afirmou.

O presidente reafirmou as acusações na sexta-feira, 29, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio do Planalto.

"Agora, Leonardo DiCaprio é um cara legal, né? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia", declarou o presidente em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Bolsonaro também ironizou suspeitas sobre envolvimento de ONGs em incêndios na região.

No sábado, 30, o ator se pronunciou sobre a acusação e negou o financiamento da WWF, mas elogiou a organização.

"Embora dignos de apoio, não financiamos as organizações atacadas", disse DiCaprio. Ele também elogiou "o povo do Brasil, que trabalha para salvar sua herança natural e cultural".

A acusação de Bolsonaro ao astro de Hollywood repercutiu na imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian descreveu a acusação como "espúria" e "falsa". Já o jornal argentino Clarín e a agência de notícias americana Associated Press também destacaram o fato de Bolsonaro ter feito a acusação sem apresentar provas.   

Brigadistas foram presos em operação, mas foram soltos dois dias depois

As falas de Bolsonaro fazem referência à operação da Polícia Civil que prendeu na terça-feira, 26, quatro pessoas ligadas a ONGs que desenvolvem atividades em Alter do Chão, em Santarém, no Pará. Eles foram soltos nesta quinta-feira, 28.

Uma conversa que envolve um diretor de uma ONG é considerada pela polícia como principal elemento que liga ambientalistas e brigadistas a incêndios. Nenhum elemento ligado a perícia, testemunhas ou imagens conclusivas é apresentado no documento que embasa o pedido deferido pela Justiça, ao qual o Estado teve acesso. 

Para a Polícia Civil, parte dos recursos doado pelo WWF a ONGs teria sido desviado. O WWF negou a compra de fotos com recursos de doações de DiCaprio de organizações dos brigadistas investigados.

Queimadas geraram comoção internacional; desmatamento teve alta

As queimadas na Amazônia levaram a uma comoção internacional em agosto deste ano. Governos europeus e a comunidade científica demonstraram preocupação com a situação e ofereceram ajuda para Bolsonaro. O governo federal enviou as Forças Armadas para a região com objetivo de apoiar as ações de combate às chamas. 

Em novembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que o desmatamento na Amazônia subiu 29,5% entre 1º de agosto do ano passado e 31 de julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores, atingindo a marca de 9.762 km². Foi a mais alta taxa desde 2008. Porcentualmente, foi também o maior salto de um ano para o outro dos últimos 22 anos. Entre agosto de 2017 e julho de 2018 o corte raso da floresta tinha atingido 7.536 km².

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