Mar Morto entra em estado preocupante, diz especialista

A redução de volume provocada por represas no Jordão supera os 100 milhões de metros cúbicos

EFE,

06 de fevereiro de 2008 | 15h03

O Mar Morto pode entrar em estado alarmante se alguma medida não for tomada com urgência para remediar a previsão de redução de suas águas, que em janeiro quadruplicou, por conta da construção de represas e da falta de chuvas.      "Em janeiro, reduziu 20 centímetros, quatro vezes mais do habitual", disse hoje o hidrologista Amos Bein, que alertou que o fenômeno persistirá, caso medidas não sejam tomadas urgentemente.      O especialista explicou que a chegada de água foi reduzida drasticamente pela construção, na região da Jordânia, de várias represas; das quais quatro ao redor da bacia, e algumas outras ao norte.      Segundo o especialista, essas represas interrompem as correntes que antes iam em direção ao Rio Jordão, principal rio que deságua no Mar Morto.      A redução provocada por essas represas supera os 100 milhões de metros cúbicos, agravadas pelos entre 450 e 650 milhões anuais que o mar já vem perdendo há meia década, segundo dados estatísticos comparativos.      Atualmente, o nível do Mar Morto se situa aos 420,94 metros abaixo do nível do mar, sendo que, apenas nos últimos doze meses, a redução foi de 1,17 metros.      Ao destacar que a redução de janeiro aconteceu justamente em um mês abundante em água, Bein se mostrou pessimista em relação ao futuro.      "Nos próximos meses a baixa será mais acentuada, e depois será preciso ver como fazer essa água chegar até ele, ou o problema ficará ainda mais grave", sustentou.      Mesmo diante do fato de que o mar perde, a cada ano, em média, um metro de altura, os analistas garantem que o raro lago, onde a alta salinidade faz flutuar o que entra em suas águas, nunca desaparecerá.   O segredo da sobrevivência deste mar está justamente no seu alto teor de sal: se a salinidade cresce, a evaporação é reduzida, e em algum momento se chega a um novo equilíbrio, no qual a quantidade de água que chega, e a que evapora, são iguais.      A previsão dos cientistas, no entanto, é de que isso ocorra daqui a 150 anos, e até lá sua superfície já terá se reduzido à metade do que é hoje.      A superfície do lago já diminuiu dos 1.000 quilômetros quadrados, registrados no princípio do século 20, para 650 quilômetros quadrados, atualmente, o que representou uma redução no nível de água de mais de trinta metros.      Situado na fronteira entre a Jordânia e Israel, sobre a chamada "falha sírio-africana", o "Mar de Sal", como é conhecido na Bíblia, é um dos lugares mais inóspitos do planeta, com temperaturas que no verão superam os 40 graus à sombra.      Estas temperaturas foram, desde tempos pré-históricos, seu principal problema, ao gerar uma evaporação equivalente a 1.050 milhões de metros cúbicos de água anuais, segundo medições realizadas nos últimos anos.      No princípio do século 20, a evaporação era idêntica ao volume de água que ingressava do Rio Jordão e de mananciais da região, enquanto, cem anos depois, a perda fica entre 450 e 650 milhões de metros cúbicos - sem contar o efeito das represas.

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