Rivelino Cavalcante/ Instituto de Ciências do Mar / UFC - 8-02-2022
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Manchas de óleo voltam a se espalhar por praias do Ceará; Estado investiga origem

Além de praias de Fortaleza e na região metropolitana, o óleo chegou a diversas regiões do litoral cearense, como Aracati, Fortim, Beberibe, Barra Nova e Paracuru

André Borges e Lôrrane Mendonça, especial para o Estadão

11 de fevereiro de 2022 | 12h00

BRASÍLIA e  FORTALEZA- O litoral do Ceará voltou a ser invadido por manchas de óleo. Ao menos 34 praias cearenses registraram a chegada do material nesta semana, conforme informações divulgadas pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do Estado. Além de praias de Fortaleza na região metropolitana, o óleo chegou a diversas regiões do litoral cearense, como Aracati, Fortim, Beberibe, Barra Nova e Paracuru.

Ainda não há informações precisas sobre o que causou o vazamento. O óleo tem uma aparência de graxa. Sabe-se que a Petrobras tem desativado campos de petróleo na região, mas não há como vincular o problema com essas operações. Há equipes do Ibama se deslocando para o local para limpar a região.

O caso é investigado por equipes da Sema e do Ibama. A hipótese de que se trataria de resquícios da tragédia ocorrida em 2019, quando todo o litoral do país foi atingido por manchas de óleo, foi descartada. 

Os primeiros registros foram feitos nas praias do litoral leste cearense, como Canoa Quebrada e Fortim, em janeiro. Dias depois, as manchas de óleo foram encontradas nas praias de Cumbuco e Icaraí, no município de Caucaia. Nesta semana, o óleo apareceu no litoral de Fortaleza, na praia da Leste Oeste, no bairro Barra do Ceará, na Praia do Futuro, Praia do Cais do Porto/Serviluz e na praia da Sabiaguaba.

 

Wilton Silva é instrutor de surf e comenta que, apesar de poucas, as manchas têm assustado. “São poucas, mas assusta, né? Diariamente, a gente se reúne para limpar a praia, colocamos esse óleo em sacos plásticos e o pessoal da prefeitura leva”, diz. Mesmo assim, ele fala que as pessoas não evitaram frequentar a praia. “Não chegou nenhuma autoridade aqui ainda, mas estamos atentos”, explica.

 

Desde o último dia 25 de janeiro, as praias poluídas, que ficam em cerca de 12 municípios litorâneos, estão em monitoramento para limpeza e investigação da retirada das manchas. O professor do Labomar/UFC e cientista chefe de meio ambiente da Sema, Luis Ernesto Arruda, explica que, após análises laboratoriais, verificou-se que a substância é uma espécie de petróleo e que o óleo que chegou no Ceará há cerca de 15 dias não é o mesmo que surgiu em 2019, quando todo o litoral do Nordeste foi poluído. “São manchas pretas, pequenas e viscosas, parece ser petróleo. Uma análise feita pela Universidade Federal da Bahia indicou que não se trata do mesmo óleo do evento de 2019, que chegou em grande quantidade no Nordeste inteiro. Estamos em contato com as prefeituras de estados vizinhos, como Rio Grande do Norte e Piauí, e esse óleo está localizado apenas no Ceará”, conclui. 

 

O empresário Flávio Costa realiza caminhadas todos os dias na Praia do Futuro e confirma o surgimento do óleo na região. “Eu vejo algumas dessas manchas por aqui, mas em menor quantidade do que da outra vez que surgiu, então não tem tanto problema desta vez”, opina.

 

A Secretaria de Meio Ambiente do Ceará (Sema) orienta as prefeituras de municípios litorâneos a monitorarem as praias e reportarem eventos de surgimento das manchas de óleo. Equipamentos de Proteção Individual e tambores, para recolhimento das substâncias, são disponibilizados para a limpeza destas praias. O secretário da Semace, Arthur Bruno, revela que as manchas de óleo são petróleo brasileiro, ou seja, é oriundo de algum navio localizado na costa brasileira. 

 

“Temos uma parceria com a Marinha e com o Ibama. Como foi verificado que esse óleo é brasileiro, a Marinha e o Ibama investigam exatamente de onde ele vem. Desde as manchas de 2019 2 2010, sentimos a necessidade de organizar com as diversas instituições - municipais, estaduais e federais - um plano de contingenciamento para manchas de óleo e um observatório costeiro e marinho que, em momentos como este, nos reunimos para ter uma coordenação e dar uma solução para este problema. Todas as prefeituras estão orientadas a fazer a limpeza dessas praias e nós recolhemos e levamos esse material para dar definição final para esta substância”, explica o secretário.

 

Nesta sexta-feira, o Ibama realiza um sobrevoo com equipamento específico para detectar se há óleo em alto mar e prevenir que mais manchas de óleo cheguem às praias.

Veja quais praias e municípios já têm registro de manchas de óleo no Ceará:

Litoral Leste

  • Aracati - Cumbe, Canoa Quebrada, Majorlândia, Quixaba e Lagoa do Mato;
  • Fortim - Praia Canoé e Praia do Forte;
  • Beberibe - Praia do Parajuru e Prainha do Canto Verde;
  • Cascavel - Barra Nova, Barra Velha, Águas Belas e Caponga

Fortaleza e Região Metropolitana

  • Aquiraz - Porto das Dunas, Japão, Prainha, Marambaia, Praia Bela, Praia do Presídio, Praia do Iguape, Praia do Barro Preto e Praia do Batoque;
  • Fortaleza - Praia da Abreulândia, Sabiaguaba, Praia do Futuro e Praia da Leste Oeste;
  • Caucaia - Praia do Cumbuco;
  • São Gonçalo do Amarante - Praia da Taiba, Pecém e Barramar.

Litoral oeste

  • Paracuru - Praia do Quebra Mar, Praia Pau Enfincado e Praia do Vapor.

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