Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Manchas de óleo voltam a aparecer em praias do Ceará

Registros novos não aconteciam há 45 dias. A Secretaria de Meio Ambiente do Estado alerta para possível aparecimento da substância até março de 2020.

Lôrrane Mendonça, Especial para o Estado

30 de dezembro de 2019 | 19h48
Atualizado 31 de dezembro de 2019 | 11h32

Correções: 31/12/2019 | 11h32

FORTALEZA – O petróleo cru voltou a poluir o litoral do Ceará às vésperas do réveillon. Os registros foram feitos na manhã desta segunda-feira, 30. Os locais atingidos foram as praias de Caetanos de Cima, no município de Amontada, e de Apiques, em Itapipoca, no litoral norte cearense, segundo a Marinha.

De acordo com o Chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Miller Holanda, não se sabe a quantidade de óleo encontrada, mas ele afirma ter sido pouca. “É importante saber que já está sendo mobilizada uma equipe para efetuar a limpeza do local”, completa.

A Marinha informou que "amostras do material estão sendo enviadas para análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), a fim de verificar o tipo do óleo".  

O último levantamento feito pelo Ibama aponta que foram 980 pontos atingidos pelas manchas de óleo nos nove estados do Nordeste, configurando a situação como o maior desastre ambiental sobre derramamento de óleo no País

Para o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), especialista em oceanografia, Luis Ernesto Bezerra, um efeito chamado "swell" pode ter sido a causa do reaparecimento do óleo na praia. “Esse óleo continua no mar e o evento, swell, que são ondas um pouco mais fortes, geradas por ventos mais fortes, acabaram trazendo de volta o óleo que estava em alto mar”, explica.

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Outra hipótese levantada pelo especialista é de que ainda pode haver óleo no fundo do mar e as ondas mais fortes trazem a substância até a praia.

Ainda segundo Luis Ernesto, “nos meses de janeiro e fevereiro há ventos mais fortes no Ceará, que geram ondas de swell, e essas ondas podem trazer o óleo para a praia. Então há a possibilidade de esse óleo continuar aparecendo, desde que haja óleo no fundo ou em mar aberto”, esclarece.

A Secretaria de Meio Ambiente do Ceará também acredita nessa possibilidade. O alerta é para o surgimento do petróleo cru até março de 2020. A decisão foi anunciada pelo superintendente Carlos Alberto Mendes, e divulgada no site oficial do órgão.

O professor Luis Ernesto Bezerra alerta para o consumo de mariscos nesta época. Segundo ele, “não tenho como afirmar que os animais estão contaminados, mas se puder evitar, é o melhor a se fazer, já que o petróleo cru é altamente nocivo à saúde”. Na região da praia de Caetanos, habita uma pacata vila de pescadores, onde vivem cerca de 250 famílias.

Durante os 90 dias do que se chamou crise do óleo, a Semace coletou 22 toneladas de resíduos oleados em 29 praias de 16 municípios cearenses. O resíduo, considerado perigoso, foi removido do mar e das praias pela secretaria, Ibama, Marinha e prefeituras, como parte de um esforço coletivo coordenado pelas secretarias do Meio Ambiente e da Casa Civil. A Semace também transportou com segurança o óleo recolhido, para que fosse queimado no forno de uma cimenteira autorizada pela autarquia.

Correções
31/12/2019 | 11h32

Diferentemente do que foi publicado, o petróleo cru atingiu as praias de Caetanos de Cima, no município de Amontada, e de Apiques, em Itapipoca, segundo a Marinha.

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