Adema/Governo de Sergipe
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Óleo chega a praias de Salvador e reserva extrativista no Maranhão

Óleo já atingiu seis das principais praias de Salvador; manchas também atingiram Reserva do Cururupu, maior reserva marinha e costeira do Brasil

Heliana Frazão, Diego Emir e Lôrrane Mendonça, especiais para o Estado

11 de outubro de 2019 | 12h33
Atualizado 15 de outubro de 2019 | 16h31

SALVADOR, SÃO LUÍS e FORTALEZA - O óleo que se espalha pelo litoral nordestino chegou na madrugada desta sexta-feira, 11, às praias em Salvador. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), foram observados resquícios da substância, apontada como petróleo cru, em seis das principais praias da capital baiana: Flamengo, Jardim de Alah, Jardim dos Namorados, Piatã, Itapuã e Buracão.  As manchas também atingiram a Reserva Extrativista de Cururupu, localizada no Maranhão, que é maior reserva marinha e costeira do Brasil.

Em Salvador, a Empresa de Limpeza Pública da cidade, a Limpurb, também observou manchas na Praia do Flamengo e Jardim dos Namorados, essa última localizada no bairro da Pituba. Na noite da quinta-feira, 10, já havia sinais de óleo em Vilas do Atlântico, no município vizinho de Lauro de Freitas. A substância chegou à Bahia há pouco mais de uma semana. As informações foram confirmadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

A Limpurb informa que disponibilizou uma equipe de 75 agentes para realizar a limpeza dessas áreas. Eles estão trabalhando em regime de plantão de 24 horas para realizar o monitoramento de toda a orla da capital. Segundo o Inema, em todo o Estado, já são 19 as praias contaminadas pelo óleo. Segundo o presidente da Limpurb, Marcus Passos, foram coletados “aproximadamente 20 quilos da substância”. Passos acredita que o número de praias atingidas pode aumentar. Ele informou que todo o material recolhido está sendo guardado em locais isolados, para análise de órgãos ambientais federais e estaduais.

Em nota, a prefeitura de Salvador pediu à população que evite as praias afetadas pelas manchas de óleo.

Fortaleza

Em Fortaleza, desde o início da operação de limpeza das praias, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) já retirou 850 litros de óleo das areias e das rochas. De acordo com o órgão, a substância não foi avistada em alto mar, após inspeção feita por sobrevoo.

De acordo com o diretor de Controle e Proteção Ambiental da Semace, Linconl Davi, todo o óleo recolhido é levado para incineração. A retirada do material depositado na areia é feita de modo simples, mas, quando o óleo chega na rochas, o processo é mais delicado. "É preciso haver uma escareação manual das pedras, e este material é recolhido com mantas. O que é levado para incineração são as mantas com o óleo impregnado. Este é um trabalho bem mais lento", completa.

Para identificar e retirar o petróleo das praias, a Semace tem adotado dois tipos de monitoramento: por via aérea e terrestre. Dois sobrevoos já foram realizados em todo o litoral cearense, desde o município de Icapuí, distante cerca de 205 quilômetros de Fortaleza, até Camocim, a cerca de 353 quilômetros da capital.

De acordo com Davi, todos os pontos identificados com a presença do óleo são repassados para a Secretaria de Meio Ambiente (Sema). Outra ação realizada pela Semace é a de avaliação para detectar as condições de balneabilidade. “O monitoramento segue a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Se identificarmos a presença pontual de esgoto, resíduos sólidos animais ou óleo, mesmo que a quantidade seja dentro do padrão, a resolução diz que a simples presença de óleo, por menor que seja, já é suficiente para considerar impróprio, porque esse material é altamente tóxico, podendo provocar queimaduras", explica.

Reserva extrativista

As primeiras manchas na Reserva Extrativista de Cururupu, situada a 170 km da capital maranhense, surgiram na última quarta-feira, 9. A informação foi confirmada por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A Reserva de Cururupu é uma área que compreende 1.860 km² e uma extensão porção de manguezais protegidos, que formam um corredor ecológico de relevância mundial. No local são registradas 12 comunidades pesqueiras, que abrigam 1.200 famílias, que estão incluídas em um plano de produção de pesca artesanal, uma vez que elas alegam que já viviam na região antes mesmo da criação da reserva extrativista pelo Governo Federal no ano de 2004.

O professor Leonardo Soares, especialista em gerenciamento costeiro do departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão, relata que a presença de óleo na reserva pode trazer inúmeros prejuízos a região e toda costa brasileira, especialmente a que compreende do Maranhão ao Amapá. Ele lembra que o local ainda faz parte do polo turístico Floresta dos Guarás, um dos mais exuberantes do País.

“Se o óleo chegar aos manguezais ficará praticamente inviável a retirada do produto, uma vez que o acesso é complexo”, explica

Soares. De acordo com o oceanógrafo na região vivem tartarugas, golfinhos, diversas espécies de peixes, principalmente a pescada amarela  – Cynoscion acoupa, além de ostras e cetáceos.

A reserva extrativista tem ainda um programa de proteção ao peixe-boi marinho - Trichechus manatus – que está na lista

de animais ameaçados de extinção. 

No ano de 2017, o Ministério do Meio Ambiente, sob comando de Sarney Filho, criou um plano de manejo para reserva extrativista, que busca um diagnóstico do meio físico, biológico e social e visa a estabelecer as normas, restrições para o uso, ações a serem desenvolvidas e manejo dos recursos naturais e de seu entorno. 

O município de Cururupu sempre ocupou uma das primeiras posições com relação à produção pesqueira no Maranhão, inclusive com forte atuação de embarcações pesqueiras também do Estado do Pará. Dentre as espécies de importância econômica na região destaca-se a pescada amarela, que, devido ao comércio internacional do grude (bexiga natatória dos peixes) para a indústria de alimento e cosméticos, vem sofrendo com a exploração.

De acordo com o Laboratório de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco no Maranhão já foram observadas manchas de óleo na Ilha de Caçacueira, na Reserva Extrativista de Cururupu, e vestígios foram identificados na praia de Travosa, em Santo Amaro do Maranhão, e nas praias de Mamuna e Itatinga, assim como na Ilha do Livramento em Alcântara.

Histórico do vazamento

Um vazamento de petróleo cru se espalha pelos nove Estados do Nordeste. O poluente foi identificado em uma faixa de mais de 2 mil quilômetros da costa brasileira. O governo federal afirma que análises já apontaram ser petróleo cru, de origem desconhecida e de tipo não produzido no Brasil. 

Para Entender

Entenda o vazamento de petróleo nas praias do Nordeste

Óleo se espalha pelos 9 Estados da região. O poluente foi identificado em uma faixa de mais de 2 mil quilômetros da costa brasileira

Considerado o maior episódio de vazamento de óleo no Brasil em termos de extensão, o desastre ambiental que atingiu pelo menos 139 pontos nos nove Estados do Nordeste pode causar impacto na saúde humana, ainda que em escala pequena, quando comparada aos danos ao ecossistema local.

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