Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Chega a 997 número de localidades atingidas por óleo no Nordeste, RJ e ES

Balanço do Ibama aponta que petróleo cru ainda é encontrado em ao menos 477 pontos do litoral, incluindo mais de 30 dentro da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 10h02
Atualizado 12 de dezembro de 2019 | 12h06

SÃO PAULO - O número de localidades atingidas por óleo continua aumentando e chegou a 997, segundo balanço divulgado na quarta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Praias, mangues, rios e áreas de proteção ambiental de ao menos 132 municípios de todos os nove Estados do Nordeste, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro foram afetados por fragmentos ou manchas de petróleo cru desde 30 de agosto. 

O balanço também indica que 17 localidades ainda estão com manchas de óleo (isto é, mais de 10% de contaminação), outras 460 têm fragmentos da substância. Dentre os locais ainda com óleo, mais de 30 ficam na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil, com cerca de 120 quilômetros de praias e mangues.

O óleo está distribuído da seguinte forma: Maranhão (23 localidades), Piauí (10), Ceará (4), Rio Grande do Norte (11), Paraíba (4), Pernambuco (22), Alagoas (57), Sergipe (54), Bahia (218), Espírito Santo (71) e Rio de Janeiro (3). 

Para Entender

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Em relação à fauna, ao menos 158 animais oleados foram identificados pelo Ibama. Os dados se referem especialmente a tartarugas marinhas (104) e aves (39). Nas redes sociais, a Fundação Mamíferos Aquáticos chegou a compartilhar imagens da recuperação de uma ave oleada encontrada em Maragogi (AL). 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O trabalho de despetrolização de fauna deve ser feito por profissionais em um Centro Especializado. Desta forma, os animais resgatados no estado de Sergipe, Alagoas e norte da Bahia, com esforços integrados da ADEMA (@ademasegipe), do Instituto Biota de Conservação (@institutobiota) , IBAMA (@ibamagov) e o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (@ima.alagoas), estão sendo encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização da Fundação Mamíferos Aquáticos, onde são atendidos por uma equipe técnica especializada. . Esta ave oleada, encontrada em Maragogi/AL, chegou ao nosso Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna no dia 21 de outubro. A equipe técnica identificou que se trata de um ganso. Assim que chegou, o animal passou por procedimentos de estabilização, onde foi reidratado, tomou um suplemento vitamínico e um protetor de mucosa gastrointestinal. Depois de dois dias, a ave começou a se alimentar de forma voluntária. . #VivaNordeste #VivaFauna #VivaOceano #VivaFMA . *Ao encontrar algum animal com óleo na praia, não toque e nem devolva o animal contaminado à água. Se quiser ajudar, proteja-o do sol e entre em contato com o órgão ambiental da região. . . #FMAPELONORDESTE #MamíferosAquáticos #FundaçãoMamíferosAquáticos #fma30anos #vivaoceano #VidaMarinha #Conservação #MeioAmbiente #Natureza #Poluição #conservacaomarinha #sustentabilidade #Nordeste #Óleo

Uma publicação compartilhada por Fundação Mamíferos Aquáticos (@mamiferosaquaticos) em

Na Praia do Janga, em Paulista (PE), o Estado chegou a encontrar algumas dezenas de peixes mortos junto a uma grande mancha em outubro. Além disso, o material já foi encontrado em regiões de corais.

Pesquisadores apontam que o petróleo também foi encontrado no organismo de animais diversas, como mariscos e peixes. Eles também ressaltam que o impacto ambiental do óleo pode persistir por décadas.  

A primeira mancha de óleo foi oficialmente identificada em 30 de agosto, no município de Conde, na Paraíba. Quatro dias depois, o material foi encontrado no segundo Estado, Pernambuco, na Ilha de Itamaracá. Em 1º de outubro, a Bahia foi o nono e último Estado do Nordeste a receber óleo, com a primeira mancha identificada na Mata de São João. Por fim, fragmentos são encontrados no Espírito Santo, desde 7 de novembroe no Rio de Janeiro, desde 22 de novembro. 

Ao todo, foram retiradas mais de 4,5 mil toneladas de petróleo e itens contaminadas com o óleo, tais como baldes e equipamentos de proteção.

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