Mais de 100 países defendem metas climáticas mais rígidas

Mais da metade dos 192 países que participam das negociações climáticas promovidas pela ONU em Copenhague são favoráveis a metas muito mais rígidas para limitar o aquecimento global do que as defendidas pelos países ricos, disse na segunda-feira um grupo de pequenas nações.

ALISTER DOYLE, REUTERS

10 Dezembro 2009 | 15h36

O grupo, composto por países insulares, diz que a elevação do nível do mar pode varrê-los do mapa.

Dessima Williams, chefe da aliança de Pequenos Estados Insulares (Aosis), composta por 43 membros, disse que mais de cem países (contra 86 em agosto) já se comprometeram com a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a no máximo 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.

"Metade dos países da ONU está pedindo metas ambiciosas e específicas", disse Williams, de Grenada, em coletiva de imprensa realizada na conferência que reúne até 18 de dezembro 192 países em busca de um novo tratado para suceder o Protocolo de Kyoto.

Os países menos desenvolvidos, sobretudo os africanos, e pequenos Estados insulares são todos a favor da meta de 1,5 grau Celsius, que exigiria reduções nas emissões de gases-estufa dos países ricos de pelo menos 45 por cento até 2020 em relação aos níveis de 1990.

Qualquer acordo que venha a ser fechado em Copenhague terá que ser unânime. O tamanho das reduções de gases-estufa dos países ricos e o valor dos recursos oferecidos para ajudar os países pobres estão entre os principais obstáculos para se chegar a um acordo.

A maioria dos países desenvolvidos e das economias emergentes, liderada por China e Índia, defende a meta de limitar o aquecimento terrestre ao máximo de 2 graus Celsius acima dos tempos pré-industriais. A temperatura já subiu 0,7 grau Celsius e deve subir ainda mais.

"Já estamos vivendo na linha de frente das mudanças climáticas", disse Williams, acrescentando que a Aosis quer um tratado legalmente compulsório em Copenhague, e não a simples declaração política que é a opção preferencial de muitos países desenvolvidos.

Mesmo com o grau atual de aquecimento terrestre, disse ela, muitas ilhas já "estão sofrendo danos importantes, algumas estão mergulhando no mar e outras estão perdendo suas fontes de água doce". Alguns recifes de corais estão sendo danificados pelo aumento das temperaturas.

Williams negou as sugestões de divisões entre o grupo de países em desenvolvimento, em meio a uma disputa em torno de uma proposta de Tuvalu, no Pacífico, de pactos fortes e legalmente mandatórios em Copenhague a serem respeitados por todos os países. Ela disse que os membros da Aosis defendem a proposta de Tuvalu em princípio, mas que ainda estão discutindo uma posição comum.

China e Índia defendem reduções legalmente compulsórias das emissões de gases-estufa de países ricos no Protocolo de Kyoto, mas obrigações menos rígidas para os países pobres.

"Uma declaração política de tom nobre em Copenhague, mas sem um resultado legalmente compulsório, seria como um tubarão sem dentes", disse Barry Coates, porta-voz da ONG Oxfam.

Antonio Lima, de Cabo Verde, vice-presidente da Aosis, disse que a mudança climática era um desastre por acontecer para as nações mais pobres -- como a erupção vulcânica do Monte Vesúvio, 2.000 anos atrás, que soterrou a cidade romana de Pompeia.

"Eles não sabiam o que estavam enfrentando. Agora nós sabemos o que vai acontecer. Será o planeta Pompeia".

Mais conteúdo sobre:
AMBIENTE COPENHAGUE CEMPAISES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.