Maior autoridade da ONU para clima alerta sobre risco de omissão

A principal autoridade daOrganização das Nações Unidas (ONU) para as questões climáticasavisou cientistas e autoridades de cerca de 130 países que nãocombater o aquecimento da Terra enquanto houver tempo seria umaatitude "criminosamente irresponsável". Em declarações feitas diante do painel da Organização dasNações Unidas (ONU) para o clima, Yvo de Boer, chefe daConvenção-Quadro para as Mudanças Climáticas, disse que amensagem dirigida aos líderes mundiais era clara. De Boerdividiu neste ano, com o ex-vice-presidente dos Estados UnidosAl Gore, o Prêmio Nobel da Paz. "Ignorar a urgência dessa mensagem e não agir a respeitodisso seriam atitudes criminosamente irresponsáveis", afirmou. Cientistas e representantes de governo presentes no PainelIntergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), integradopor 130 países, participam atualmente de um encontro emValência que deve durar até 17 de novembro. O objetivo deles é reunir os dados constantes de trêsrelatórios divulgados neste ano sobre as causas, asconsequências das e sobre os remédios disponíveis paraenfrentar as mudanças climáticas. Dessa forma, eles pretendemelaborar um pequeno sumário capaz de ser usado por líderes degoverno para tomarem suas decisões. Um projeto divulgado antes da conferência responsabiliza asatividades humanas pela elevação das temperaturas e diz sernecessário diminuir a emissão de gases do efeito estufa a fimde evitar a intensificação de fenômenos climáticos tais como asondas de calor, o derretimento das geleiras e a elevação donível dos mares. Os gases do efeito estufa são produzidos principalmentedurante a queima de combustíveis fósseis. E o aquecimentoglobal, cujos efeitos são negativos, já começou. "O aquecimento do sistema climático é algo inegável,conforme mostram observações sobre o aumento das temperaturasmédias do ar e dos oceanos no mundo todo, o derretimentogeneralizado da neve e do gelo e a elevação do nível médio dosmares", afirma. As comunidades mais pobres do mundo, que vivem na África ena Ásia, seriam as mais atingidas pelas mudanças climáticas,acrescenta o projeto do documento. O encontro na Espanha é tão importante que uma conferênciade ministros do Meio Ambiente, agora marcada para começar emBali, na Indonésia, no dia 10 de dezembro, foi adiada por dezdias a fim de dar ao painel do clima tempo para concluir seutrabalho. Em Bali, os ministros tentarão aprovar um cronograma dedois anos para elaborar um sucessor do Protocolo de Kyoto, oprincipal plano da ONU no combate ao aquecimento e que deixa devigorar em 2012. O Protocolo obriga 36 países industrializados a diminuírem,até 2008-2012, suas emissões de gases do efeito estufa para aomenos 5 por cento abaixo do nível registrado em 1990.

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