Maggi e Minc prometem colaboraração contra desmatamento

O ministro pediu a Maggi que ceda homens para tropas federais contra desmatamento; Maggi concordou

João Domingos, Agência Estado

19 Junho 2008 | 17h13

Acabou a briga. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), não só selaram a paz nesta quinta-feira, 19, durante encontro, em Brasília, como também prometeram colaboração para combater o desmatamento na Amazônia. Maggi garantiu a Minc que fornecerá homens de sua Polícia Militar para as ações de repressão aos crimes ambientais. No auge da briga, em maio, Maggi disse que jamais cederia um homem para as tropas que Minc pretendia arregimentar.   Veja também:    Governadores divergem sobre recursos para meio ambiente  Cassol defende imposto para financiar preservação da Amazônia  Desmatamento real é só 10% dos números do Inpe, diz Maggi  Ações diárias que salvam o planeta   Acompanhe a trajetória do desmatamento na Amazônia; abril teve mais desmate  Leia a edição online da Revista da Amazônia   Fórum: é possível salvar a floresta amazônica?    Agora que o clima de guerra acabou, Minc disse que fará de tudo para que os dados sobre a derrubada da floresta levantados pelo sistema Deter passem a ser discriminados entre o que é desmatamento raso e degradação progressiva da floresta, como quer Blairo Maggi. O sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alerta para possíveis desmatamentos, a partir de imagens de satélite.   Mapeia, assim, tanto áreas de corte raso quanto áreas em processo de desmatamento por degradação florestal. Com a separação dos dados, o governador de Mato Grosso acredita ter condições de provar que o desmatamento em seu Estado tem caído, e não aumentado. Maggi prometeu ainda a Minc apoio com capacitação técnica das pessoas que vierem a perder o emprego em futuras ações do governo federal contra crimes ambientais, como o fechamento de madeireiras.   "Meu governador. Seja bem vindo. Espero que esse encontro ocorra mais vezes aqui, no ministério, e também no seu Estado", disse Minc, ao abrir a porta para Blairo Maggi. Os dois combinaram que, na primeira quinzena de julho, Minc visitará o Mato Grosso. "Será uma visita de pelo menos dois dias para que o ministro possa ver tudo o que há em Mato Grosso, visitar produtores, áreas de proteção. Vai ver como estamos adiantados na preservação", disse Maggi, logo depois de se despedir do ministro.   O encontro ocorreu a pedido de Blairo Maggi. Minc, que tinha um dia cheio, conseguiu abrir uma brecha no meio da tarde para receber o governador. E acabou se atrasando para uma reunião de um grupo de ministros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Desde que nos encontramos em Belém, no final do mês passado, as agressões acabaram. Naquele dia eu disse ao ministro que desejava colaborar com ele e que, se ficássemos batendo boca, só nos atrapalharíamos".   O presidente Lula funcionou como cupido para que os dois fizessem as pazes. Disse a eles que, a cada agressão, desgastavam a imagem do País no exterior.   Maggi disse que está muito animado com o andamento das políticas de desenvolvimento sustentável e proteção ao meio ambiente na Amazônia. "Pela primeira vez vejo que todo mundo fala a mesma língua. Nós, governadores, que estamos preocupados com a questão e com o desenvolvimento, o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), que trabalha numa solução para os problemas da Amazônia, e o ministro Minc, que batalha para preservar o meio ambiente. Acho que estamos no caminho certo".    

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