Lula diz que Brasil vai desafiar outros países em Copenhague

Na Alemanha, presidente supervaloriza proposta brasileira e volta a defender biocombustíveis de cana

Andrei Neto - Correspondente

04 Dezembro 2009 | 19h43

O Brasil chega à 15a Conferência do Clima (COP 15) das Nações Unidas, na segunda-feira (dia 7), em Copenhague, com o objetivo de "desafiar" outros países a superarem as metas de redução das emissões de CO2 fixadas pelo país. A provocação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, em Hamburgo, durante discurso a uma plateia de empresários.

 

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Além enaltecer os objetivos ambientais de seu governo, o presidente voltou a defender a bandeira dos biocombustíveis, ausente em suas últimas viagens internacionais. Lula abriu seu discurso e falou por mais de 15 minutos - em um pronunciamento de 50 minutos - sobre meio ambiente e negociações de clima. Supervalorizando seu programa de metas de redução de emissões de CO2, o presidente afirmou que o Brasil "foi o primeiro país do mundo que se comprometeu com a redução de emissões de gases entre 36,1% a

38,9%".

 

No mesmo tom, criticou as ambições dos Estados Unidos e da China e lançou: "Quando tomamos a nossa atitude, é porque queremos chegar em Copenhague desafiando outros países a cumprirem pelo menos aquilo que o Brasil está cumprindo". Lula lembrou também que, embora o país não faça parte do chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto - que reúne países industrializados, grandes poluentes históricos -, assumiu atitude de

pioneirismo. "Tomamos a atitude de transformar em lei nossa proposta voluntária, que foi aprovada na Câmara e no Senado. Portanto, quem quer que for eleito nos próximos anos terá obrigação por lei de cumprir os compromissos", ressaltou aos alemães.

 

O monólogo sobre clima havia começado minutos antes, quando o presidente retomou a bandeira dos biocombustíveis, que andava ausente de seus discursos em viagens internacionais. Convocando os empresários alemães para "um novo salto" nas relações entre os dois países, Lula defendeu o uso de bicombustíveis de cana-de-açúcar. "Não é possível continuar a produzir etanol a partir do milho e da beterraba", pregou.

 

A afirmação serviu introdução para a abordagem de temas ambientais e industriais, que podem ser incluídos na recém-criada Parceria Estratégica Brasil-Alemanha. "Pode ser que a nova matriz energética que nós teremos de construir para as próximas décadas", disse, referindo-se ao etanol.

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