Líderes devem selar acordo climático pessoalmente, diz Brown

As negociações se arrastam em meio a propostas complexas e clima de desconfiança entre ricos e pobres

GERARD WYNN, REUTERS

19 Outubro 2009 | 11h23

Os líderes mundiais precisam mediar pessoalmente a negociação do acordo climático global a ser definido na reunião de dezembro da ONU em Copenhague, disse nesta segunda-feira o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.  

 

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Ele é um dos poucos líderes das principais economias que anunciaram a intenção de ir à conferência de 7 a 18 de dezembro, onde ministros de Meio Ambiente do mundo todo assinarão um tratado que prorrogue ou substitua o Protocolo de Kyoto -- o que inclui metas de reduções das emissões de gases do efeito estufa nos países desenvolvidos e ajuda aos países pobres para se adaptarem à mudança climática.

"O sucesso em Copenhague ainda é alcançável. Mas, se falharmos, a própria Terra estará em risco", disse Brown a representantes de 17 das principais nações poluidoras do mundo, reunidos em Londres.

As negociações se arrastam em meio a propostas complexas e um clima de desconfiança mútua entre países industrializados e em desenvolvimento.

"Nas semanas que restam até Copenhague e nas duas semanas de conferência em si irei trabalhar incansavelmente com outros líderes para negociar um acordo", disse Brown. "Tenho dito que irei a Copenhague, e estou encorajando-os a assumir o mesmo compromisso."

Muitos analistas e políticos duvidam que o mundo possa chegar a um acordo até dezembro, argumentando, por exemplo, que os EUA ainda não terão aprovado uma legislação interna que lhe permita fazer uma oferta sólida na questão das emissões.

O processo de negociação, lançado em 2007 na Indonésia, esbarra particularmente no tamanho dos cortes a serem feitos pelos países ricos até 2020, e na quantia que eles pagarão aos países pobres para que estes reduzam suas próprias emissões e se preparem para os piores efeitos do aquecimento global.

"Os líderes devem se envolver diretamente para superar o impasse", disse Brown. "Acredito que o acordo em Copenhague é possível. Mas nós devemos francamente enfrentar o simples fato de que nossos negociadores não estão chegando a um acordo com a rapidez suficiente."

A reunião de Londres busca formas de transformar a colcha de retalhos das propostas nacionais em um acordo internacional, e também discute questões de financiamento climático e cooperação tecnológica, disse no domingo Todd Stern, principal representante dos EUA para questões climáticas.

Stern não confirmou se os EUA irão levar a Copenhague propostas concretas de redução de emissões ou de financiamento aos países pobres.

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