Líderes asiáticos assinam pacto climático sem metas específicas

Líderes de 16 paísesasiáticos, incluindo grandes poluidores como a China e o Japão,assinaram um vago pacto sobre o clima na quarta-feira, tentandodeixar de lado as desavenças a respeito da repressão lançadapelo governo de Mianmar contra as manifestações pró-democracia. Em uma declaração assinada em Cingapura, os líderes daCúpula do Leste Asiático (EAS, na sigla em inglês)comprometeram-se com, no longo prazo, estabilizar o nível degases do efeito estufa na atmosfera. Mas o pacto, que não contém metas claras sobre o corte nasemissões e nem mesmo sobre limitar a expansão delas a partir deuma data específica, poderia servir de base para as negociaçõesa respeito das mudanças climáticas que acontecem neste mês, emBali (Indonésia), sob a coordenação da Organização das NaçõesUnidas (ONU). A EAS -- da qual participam dez países do Sudeste Asiáticomais a China, a Índia, o Japão, a Coréia do Sul, a Austrália ea Nova Zelândia -- também acertou que "todos os países deveriamempenhar-se para responder ao desafio comum das mudançasclimáticas com base nos princípios das responsabilidades comunsmas diferenciadas e das respectivas capacidades." Questionado sobre por que a declaração não incluiu nenhumameta clara, o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong,respondeu: "Esta é uma declaração de princípios, não um tratadonegociado estabelecendo o que faremos para limitar nossasatividades." Segundo a Austrália, o pacto facilitaria as negociaçõessobre um tratado capaz de substituir o Protocolo de Kyoto, quelimita as emissões de gases do efeito estufa. A ONU espera que o encontro de Bali sirva para lançar umprocesso de dois anos de negociação ao final do qual seriaapresentado um novo tratado mundial de combate às mudançasclimáticas. "Houve uma mudança de postura da parte da China e da Índia.Elas estão dizendo: 'Sim, precisamos fazer alguma coisa paraestabilizar as emissões"', afirmou o ministro australiano dasRelações Exteriores, Alexander Downer, pouco antes. A China, segundo maior emissor de dióxido de carbono domundo depois dos EUA, e a Índia recusam-se a acertar metasfixas e desejam que os países ricos assumam o grosso dosesforços para diminuir as emissões e que paguem por tecnologiasde energia mais limpa. A única meta numérica do pacto climático da EAS dizrespeito às áreas de floresta. O grupo acertou "trabalhar para atingir a meta da EAS deaumentar a área florestal conjunta na região em ao menos 15milhões de hectares para todos os tipos de vegetação, até2020". Apesar de os líderes do leste da Ásia haverem tentadoconcentrar-se nas mudanças climáticas e no comércio, a questãosobre como encorajar Mianmar, membro do grupo, a adotar umregime democrático azedou as celebrações do 40o aniversário daAsean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), dentro daqual o grupo adquiriu um estatuto jurídico. (Reportagem adicional de Geert De Clercq, Jan Dahinten eKoh Gui Qing)

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