Bob Strong/Reuters
Bob Strong/Reuters

lhas querem 85% de redução nas emissões até 2050

Países como Tuvalu e Maldives estão desaparecendo sob o mar e exigem acordo vinculativo

Emma Graham-Harrison, Reuters

13 Dezembro 2009 | 18h52

Os pequenos estados insulares apresentaram na sexta-feira um rascunho de acordo que, segundo eles, é o mínimo necessário para deter as alterações climáticas. Para o grupo, compete aos aos grandes países em desenvolvimento, como a China, a apresentação de uma proposta semelhante.

 

 

Veja também: 

especialIlhas em perigo com aumento do nível do mar 

blog Blog da COP: o dia a dia na cúpula

especialGlossário sobre o aquecimento global

especialO mundo mais quente: mudanças geográficas devido ao aquecimento

especialEntenda as negociações do novo acordo   

especialRumo à economia de baixo carbono 

 

O projeto da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), grupo de 43 membros,

define metas extremamente rigorosas de redução de emissões para as nações desenvolvidas, que vão muito além de suas ofertas atuais e que, por isso mesmo, podem ser rejeitadas.

A proposta conclama as nações desenvolvidas a reduzir as emissões em 45% até 2020 (sobre os índicas de 1990), e a fornecer ajuda financeira aos países pobres, equivalentes a até 1% da renda nacional. O grupo também quer um acordo juridicamente vinculativo em Copenhague, mesmo depois de ouvir dos anfitriões dinamarqueses que isso é altamente improvável.

"Grandes emissores entre os países industrializados devem admitir a responsabilidade principal pelo passado e as maiores responsabilidades conforme avançamos ", afirmou Dessima Williams, presidente da

AOSIS, em entrevista coletiva. 

Selwyn Hart, de Barbados, disse que o documento apresentado responde à principal preocupação dos negociadores chineses, que rejeitaram uma proposta semelhante de Tuvalu, um pequeno estado insular do Pacífico, que está desaparacendo sob as águas. "Pequim se opôs principalmente porque tem incertezas sobre o Protocolo de Kyoto", disse ele.

       

O debate sobre a proposta de Tuvalu paralisou as negociações principais por dois dias, embora discussões laterais sobre questões como a transferência de tecnologia e os financiamentos tenham seguido adiante.

Williams disse que não espera uma repetição das objeções de Pequim e que tinha se reunido com os países do G77 e a China para discutir a proposta. 

     

Prioridades  

A equipe chinesa diz que o direito de desenvolvimento deve vir antes da luta contra a mudança climática. 

Mas os estados insulares,  por enquanto as maiores vítimas das mudanças climáticas, têm pressa. Alguns já estão desaparecendo sob o mar. Para eles,  nada é mais importante do que a redução das emissões de carbono. 

 "O nosso projeto não requer que países em desenvolvimento realizem reduções de emissões quantificadas", disse Hart. "Contudo, é impossível que os nossos ambiciosos objectivos de redução sejam satisfeitos

sem a colaboração do todos os países, incluindo nós mesmos".

 

A proposta da AOSIS sugere um corte de 85% nas emissões globais até 2050 (com base nos níveis de 1990). Também visa limitar as subidas de temperatura em apenas 1,5º acima dos níveis pré-industriais - abaixo dos 2º que orientam a maioria dos grandes emissores. Os delegados dos estados insulares dizem que suas propostas são sérias e que querem que o nível de ambição das negociações seja intensificado.

 

"A sobrevivência não é negociável", disse o Ministro do Meio Ambiente das Maldivas, Mohamed Aslam. "Nós não queremos que as pessoas saiam ao final desta conferência com um sentimento bom, mas sem ter feito nada".

O delegado de Tuvalu, Ian Fry, disse que não está fora de questão que alguns líderes bloqueiem um acordo se ele estiver muito fraco. Ele se refere aos que chegam para a reunião de cúpula da próxima semana.  "Pode ser que um bom número de 'cabeças pensantes' presentes à reunião digam 'não' a um acordo, caso não o considerem suficientemete bom ", afirmou ele à Reuters.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.