Leonardo DiCaprio critica garimpo em terras indígenas na Amazônia

Leonardo DiCaprio critica garimpo em terras indígenas na Amazônia

O ator e ativista ambiental compartilhou em suas redes sociais uma imagem de um protesto dos povos Yanomami e Ye'kwana que escreveram, com seus corpos, a frase “Fora Garimpo”

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2019 | 19h47

SÃO PAULO - O ator e ativista ambiental Leonardo DiCaprio criticou nesta quinta-feira, 26, o garimpo em terras indígenas no Brasil. Ele compartilhou em suas redes sociais uma imagem de um protesto dos povos Yanomami e Ye'kwana que escreveram, com seus corpos, a frase “Fora Garimpo”.

“Apesar de as leis brasileiras considerarem ilegal a mineração nas terras indígenas Yanomami, milhares de garimpeiros entraram recentemente no Parque Yanomami, uma das maiores reservas indígenas do Brasil, espalhando malária e contaminando rios com mercúrio”, escreveu DiCaprio junto à foto. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

"No more mining" -- a powerful message from the Yanomami and Ye'kwana peoples of northern Brazil to the world. Despite Brazilian laws that make mining on Yanomami Indigenous land illegal, thousands of goldminers have recently entered Yanomami Park, one of Brazil’s biggest indigenous reserves, spreading malaria and contaminating rivers with mercury. The invasion comes after the budget for Amazon law enforcement operations in Brazil was slashed, leaving protected areas vulnerable to exploitation. The last time there was an invasion of this scale was during the 1980s, when around one-fifth of the indigenous population died from violence, malaria, malnutrition, mercury poisoning and other causes. At a recent Yanomami and Ye'kwana Leadership Forum, the tribe leaders issued a letter to the main authorities of the Brazilian Executive and Judiciary. "We do not want to repeat this story of massacre," reads the manifesto. Photo supplied by @socioambiental #foragarimpo #standwiththeyanomami

A post shared by Leonardo DiCaprio (@leonardodicaprio) on


O ator lembra ainda que houve corte no orçamento de fiscalização do Ibama na Amazônia neste ano, “deixando as áreas protegidas vulneráveis à exploração”. 

A imagem compartilhada por DiCaprio foi redistribuída no início da semana pelo Instituto Socioambiental, organização que luta pelos direitos indígenas, depois de ter sido divulgada inicialmente em 26 de novembro. Segundo o ISA, em novembro, durante fórum de lideranças indígenas, realizado na comunidade Watoriki, na Terra Indígena Yanomami (RR), os Yanomami e os Ye’kwana denunciaram a invasão de seu território por 20 mil garimpeiros. 

De acordo com a ONG, foram relatados no evento “graves impactos da extração mineral em suas terras”. As denúncias foram compiladas em uma carta entregue às autoridades. A organização lembrou também um estudo da Fiocruz feito em comunidade do Rio Uraricoera, na TI Yanomami, que revelou que mais 90% dos participantes da pesquisa apresentavam alto índice de contaminação por mercúrio. O estudo é de 2016.

“A última vez que houve uma invasão dessa escala foi na década de 1980, quando cerca de um quinto da população indígena morreu de violência, malária, desnutrição, envenenamento por mercúrio e outras causas”, escreveu ainda DiCaprio, citando dados divulgados pelo ISA. “Não queremos repetir essa história de massacre”, disse, reproduzindo trecho da carta das lideranças.

O presidente Jair Bolsonaro defende a liberação de mineração em terras indígenas e disse, desde as eleições, que não demarcaria "nenhum centímetro" a mais de terra para os povos indígenas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.