Leonardo Boff critica privatização de águas no Chile

Fundador da Teologia da Libertação insistiu na importância da água como 'um bem público, vital e natural'

Efe

29 Agosto 2008 | 21h13

Um dos fundadores da Teologia da Libertação, o ex-sacerdote, teólogo e ambientalista brasileiro Leonardo Boff, criticou nesta sexta-feira, 29, em Santiago a política de privatização de águas existente no Chile.   "Li sobre a legislação sobre águas, fiquei escandalizado. Existe neste país um impulso de privatização muito forte, principalmente no problema da água", disse Boff, durante uma entrevista coletiva em Santiago.   O teólogo insistiu na importância da água como "um bem público, vital e natural que não deve se transformar em mercadoria, porque seria transformar a vida em mercadoria", sustentou.   "A água exige uma gestão universal para que milhões de pessoas não morram", ressaltou Boff.   O teólogo brasileiro louvou o trabalho do bispo de Aysén, Luis Infanti de la Mora, autor da carta pastoral de água e meio ambiente "Dá-nos hoje a água da cada dia", que foi apresentada no dia 26 de agosto.   Esta "cruzada verde", impulsionada por Infanti recebeu o apoio de vários sacerdotes, religiosos e ambientalistas, entre os quais se destaca Boff.   O ex-sacerdote destacou que o documento será de utilidade para a sociedade chilena e, em geral, para as igrejas latino-americanas.   Boff, que esta semana percorreu parte do sul do país, disse que o Estado chileno não tem uma política energética muito definida "o que permite que grandes empresas venham e façam seus negócios à margem das políticas nacionais".   O ex-franciscano disse que atuar com consciência no tema meio ambiente, "pode impedir projetos que são de grandes iniciativas nacionais e internacionais, cuja preocupação principal não é tanto o equilíbrio ecológico, mas sim obter lucro e mais lucro".

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