Kerry diz que EUA não aprovam acordo sobre emissões sem emergentes

Senador americano promete mudança de postura na próxima administração.

Eric Brücher Camara, BBC

10 de dezembro de 2007 | 23h10

O senador John Kerry, candidato democrata derrotado à Presidência dos Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira que a alta casa do Congresso americano "dificilmente aprovaria" a entrada em um novo acordo para cortes de emissões de gases causadores do efeito estufa caso países em desenvolvimento não se comprometessem também a reduzir as suas emissões. Em uma entrevista durante a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bali, na Indonésia, Kerry fez questão de destacar que os Estados Unidos "estão dispostos a liderar" e que muitos reconhecem "que o país é o maior poluidor do mundo", mas ressaltou também a importância da participação das economias emergentes."Em algum momento, eles vão ter que assumir essas reduções, por várias razões, principalmente porque os países desenvolvidos não vão conseguir fazer tudo sozinhos", disse Kerry, que já nesta terça-feira deve deixar Bali, onde representantes de mais de 190 países discutem um roteiro para a criação de um novo acordo de combate ao aquecimento global. O democrata lembrou também que o Senado americano derrubou a ratificação do Protocolo de Kyoto porque o acordo não exigia cortes de emissões de países em desenvolvimento. O presidente George W. Bush acabou confirmando o veto, sob a alegação de que a adesão ao protocolo iria prejudicar a economia americana. Às vésperas de um ano de eleições presidenciais, Kerry disse acreditar que um presidente democrata iria fazer uma diferença como a "da noite para o dia" na política americana sobre mudança climática.Ele afirmou também esperar que os negociadores da atual delegação americana não aprovem um texto para o chamado "mapa do caminho de Bali", como vem sendo chamado o documento que deve ser produzido na reunião, que deixe o próximo presidente "de mãos atadas"."Trazemos a mensagem de que os Estados Unidos vão estar à mesa, vão liderar, os Estados Unidos vão mudar significativamente as suas políticas para tratar da mudança climática.""Estamos gastando US$ 1 trilhão na Guerra do Iraque. Devemos ser capazes de encontrar vários bilhões para salvar o planeta", concluiu. O senador se disse otimista sobre um rápido desenvolvimento de tecnologias limpas, uma vez que as grandes indústrias percebessem que há "dinheiro para ser ganhado" com o combate à mudança cimática."Ninguém pode prever o que acontece quando se começa a correr atrás de resultados."O encontro da ONU sobre mudança climática termina na sexta-feira. Ele deve produzir um documento com uma espécie de roteiro para as negociações que vão acontecer até 2009, quando os líderes mundiais devem começar os acertos finais para um substituto ao Protocolo de Kyoto, atualmente em vigor. A delegação americana quer evitar que neste "mapa do caminho de Bali" entrem referências às metas de redução obrigatórias defendidas pela União Européia (EU), que prevêem cortes entre 25% e 40% até 2020, como recomenda o IPCC.Kerry, no entanto, disse ser a favor delas, mas destacou que os países em desenvolvimento também têm que seguir na mesma direção. A convenção do clima da ONU prevê "responsabilidades comuns, mas diferencidas" entre os seus signatários. O objetivo da frase é deixar claro que todos os países têm que assumir responsabilides, aceitando que os deveres dos países ricos são maiores, já que eles se beneficaram mais da poluição que hoje todos enfrentamos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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