BRUNO KELLY
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James Cameron diz que vai filmar documentário sobre Belo Monte

Temas como energia limpa e o polêmico projeto da hidrelétrica dominaram o fórum que começou nesta quarta-feira em Manaus

Karina Ninni,

25 de março de 2011 | 11h10

Jornalistas que estiveram em jantar com James Cameron na noite de quarta-feira em Manaus assistiram à inusitada cena de um honradíssimo Cameron sendo apelidado pelo índio caiapó Raoni de Kapremp-ti: o homem forte da aldeia, com um cumprimento típico.

 

Cameron afirmou que gostaria de ter conhecido os caiapó antes de fazer o Avatar. “Teria feito um filme melhor”, disse ele. O cienasta também garantiu que vai fazer um documentário com os índios caiapó e a hidrelétrica de Belo Monte.

 

Presente na abertura do II Fórum Mundial de Sustentabilidade, que contou também com a presença “ilustre” de Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, Cameron não mudou o discurso contrário à hidrelétrica de Belo Monte (PA), que já havia feito no ano passado, na primeira edição do evento.

 

O ex-governador da Califórnia disse que o Brasil é um bom exemplo por ter 85% de sua energia gerada através de hidrelétricas e exaltou o etanol. Discurso que parecia contrastar com o de seu colega hollywoodiano, que bateu novamente na tecla da energia solar como alternativa viável para o Brasil ao defender a paralisação das obras da hidrelétrica em Altamira, onde esteve no ano passado.

 

“O Brasil foi esperto ao fazer combustível de cana décadas atrás. Sabemos que os combustíveis fósseis estão criando problemas para as pessoas, inclusive de saúde. Precisamos mudar isso”, disse Schwarzenegger, afirmando que na Califórnia, uma em cada seis crianças usa inalador com frequência por conta de problemas respiratórios.

 

“Cerca de 20% da energia utilizada na Alemanha é de base solar. O Brasil está na linha do equador e tem muito mais incidência solar do que a Alemanha”, afirmava o diretor de Avatar.

 

Schwarzenegger, perguntado sobre o polêmico projeto da hidrelétrica, escapuliu pela tangente.

 

“Não sou um expert, mas sei que há problemas de toda sorte em um empreendimento desses. Na Califórnia, quando quisemos instalar painéis solares no deserto, descobrimos que havia ali um animal que não resistiria à colocação de centenas de painéis solares. Isso acontece. É preciso que se respeite as pessoas e a fauna dos locais em que se planejam grandes projetos”, disse.

 

 

Mais tarde, no jantar com jornalistas, Cameron afirmou que ele e o ator sabiam das opiniões um do outro e que se respeitam, sendo mesmo complementares.

 

“Somos uma boa dupla. Eu funciono como uma espécie de consciência social e ele defende o fim dos combustíveis fósseis e o crescimento com base em alternativas energéticas limpas. Foi ele quem me convidou a vir, pois eu já tinha estado aqui.”

 

Esforços olímpicos

 

Mas a palestra que mais arrancou aplausos da platéia foi a de Dan Epstein, diretor de sustentabilidade e regeneração  urbana dos Jogos Olímpicos de Londres. Ele explicou como o país já gastou mais de 1 bilhão de libras para a construção de um parque olímpico “sustentável”.

 

“Demolimos 240 prédios e estamos criando um parque em que minimizamos o uso de água, o a geração de resíduos e as emissões. Focamos o projeto nas ideias de inclusão e acessibilidade”, resumiu Epstein.

 

 

Ele afirma que o complexo não prevê infra-estrutura para carros, pois foi todo concebido para que o acesso se dê via transporte público.

 

“Londres já é congestionada o suficiente e o desempenho dos atletas se altera com um trajeto muito longo.”

 

Epstein ressaltou que toda a madeira usada tem certificação e que os prédios foram inteligentemente concebidos.

 

 

“Estamos construindo estádios que podem ser desmontados e transformados em outra coisa, ou transportados”, disse ele.

 

Público variado

 

Mais de 700 pessoas estiveram reunidas no Fórum, que termina no sábado. A grande maioria empresários dos mais diversos ramos, interessados em negócios, não necessariamente sustentáveis. Para participar, os interessados desembolsaram R$ 18 mil cada um.

 

Celebriadades brasileiras também marcaram presença na abertura, como as atrizes Christiane Torloni e Bruna Lombardi, que foi com o marido, Carlos Alberto Ricceli, e a cantora Daniela Mercury.

 

“O Brasil está mais consciente do que nunca, e isso inclui nossos governantes”, afirmou Bruna.

 

O fórum é organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e pelo Seminars*.

 

* A repórter viajou a convite da produção do evento.

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