Investigação revela venda ilegal de carne de baleia na Ásia

Restaurante sul-coreano vendia carne com DNA idêntico ao de animal caçado pelo Japão

Associated Press

14 Abril 2010 | 18h56

Testes de DNA feitos em carne de baleia de um restaurante da Coreia do Sul indicam que parte do suprimento veio do Japão, informam cientistas, oferecendo evidências de um tráfico ilegal de carne de baleia originado no programa científico japonês.

 

Cientistas da Universidade Estadual do Oregon realizaram os testes como parte de um programa de monitoramento das fontes da carne de baleia que chegou ao mercado a partir de 1993.

 

O estudo aparece na edição desta quarta-feira da publicação científica Biology Letters.

 

O estudo surge no momento em que a Comissão Baleeira Internacional estuda legitimizar a caça comercial de baleias em pequena escala, como forma de controlar a atividade. Ambientalistas temem que a medida possa abrir ainda mais portas para a caça ilegal.

 

A temporada de caça anual promovida pelo Japão é autorizada pela comissão, pois é executada sob o pretexto de estudo científico. Mas oponentes dizem que se trata de uma fachada para a caça comercial, que é proibida internacionalmente desde 1989.

 

O Japão caça milhares de baleias minke, que não são consideradas uma espécie ameaçada. A carne não usada nos estudos é comercializada dentro do Japão, mas a exportação é proibida.

 

O Consórcio de Pesquisa de Baleias do Pacífico Sul,l na Nova Zelândia, estima que 3.000 baleias são mortas a cada ano, pela carne.

 

"Desde a moratória internacional, supunha-se que não havia comércio internacional de derivados de baleia", disse Scott Baker, diretor-associado do Instituto de Mamíferos Marinhos da Universidade do Oregon.

 

"Mas quando derivados da mesma baleia foram vendidos no Japão em 2007 e na Coreia do Sul em 2008, isso sugere que o comércio  internacional, mesmo sendo ilegal, ainda existe", afirma.

 

Interrupção

A frota baleeira japonesa encerrou esta semana a temporada de caça na Antártida com 507 baleias, metade das 935 previstas. O capitão da frota, Shigetoshi Nishiwaki, atribuiu o fracasso da expedição de cinco meses aos ambientalistas da entidade Sea Shepherd. Em anos recentes, a Sea Shepherd, têm usado barcos para perseguir navios japoneses e impedir a captura de baleias.

 

A Comissão Internacional da Baleia proibiu a caça comercial dos mamíferos em 1986. Mas uma cláusula aprovada por pressão do Japão permitiu ao país manter as expedições de baleeiros à Antártida para fins de “pesquisa científica”. As supostas sobras não usadas nas pesquisas são vendidas em supermercados e restaurantes.

 

Criticada por ambientalistas, a comissão estuda suspender a moratória mundial, desde que países como Japão e Noruega se comprometam a reduzir significativamente o número de animais capturados. A ofensiva contra os japoneses no Marrocos deve ser liderada pela Austrália, que ameaça levar o país asiático a cortes internacionais de Justiça por usar a alegação de que conduz pesquisas científicas para fraudar a proibição à caça comercial. Este ano, com apoio de países como o Brasil, o governo australiano financiou uma expedição de cientistas à Antártida para provar que é possível fazer pesquisas sem matar os mamíferos e colher evidências de que o Japão está fraudando a moratória.

 

O Greenpeace rebateu alegações da indústria de que a caça às baleias atende a uma necessidade cultural do país, pelo apego do consumidor à carne de baleia. Segundo a entidade, o consumo da carne do mamífero está em queda no Japão, que já teria estoques congelados de 4,4 mil toneladas. O Greenpeace estima que, com a temporada deste ano, os estoques serão reforçados em mais 1,8 mil toneladas.

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