Antonello Veneri/AFP
Antonello Veneri/AFP

Investigação de mancha em praias envolve análise química do óleo e estudo de correntes marítimas

A ideia é cruzar informações com a dos navios que circularam pela área onde o vazamento ocorreu para identificar os responsáveis; o poluente já foi identificado em 229 pontos da costa nordestina

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 06h00

RIO DE JANEIRO - A análise geoquímica do óleo derramado e o estudo das correntes marítimas na costa brasileira são as duas principais linhas de investigação para o desastre ambiental que afeta as praias do Nordeste. A ideia é cruzar essas informações com a dos navios que circularam pela área onde o vazamento ocorreu e tentar, dessa forma, identificar os responsáveis. O poluente já foi identificado em 229 pontos da costa nordestina.

Análises feitas pela Petrobrás e confirmadas por universidades federais do Nordeste indicam que o óleo é de origem venezuelana. Estudo do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio (Coppe/UFRJ) já determinou que o vazamento ocorreu entre 600 e 700 quilômetros da costa, na altura da divisa entre Sergipe e Alagoas.

“Todos os petróleos são caracterizados em seus países de origem. Cada companhia tem seu banco de amostras”, explica a professora do Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ Angela Uller. “É possível identificar o campo de petróleo de onde veio.” O governo venezuelano já afirmou não ser responsável pelo material.

Trabalho também pode revelar data do vazamento do material

A análise pode revelar também há quanto tempo o óleo está em contato com a água do mar, oferecendo informações preciosas sobre a possível data do vazamento.

“Pela densidade, viscosidade e composição do óleo, dá para se estimar há quanto tempo o óleo está em circulação”, explica o oceanógrafo químico Gilberto Fillmann, da Universidade Federal do Rio Grande. “Conforme o tempo passa, o óleo perde suas moléculas mais leves, sua parte mais solúvel, e vai ficando mais viscoso.”

Recolhendo amostras do óleo na praia, no mar e na refinaria de origem, por exemplo, é possível fazer uma linha do tempo do desgaste sofrido, determinando quanto tempo o petróleo levou para chegar à costa.

A análise das correntes marinhas, por meio de modelagem reversa, confirma que o derrame ocorreu muito longe da costa. Ao se aproximar do litoral, levado por uma corrente que se bifurca no litoral do Nordeste, o óleo se espalhou para o norte e para o sul, como explica o oceanógrafo Ronald Buss de Souza, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O estudo geoquímico do óleo pode indicar também a sua toxicidade e o tipo de impacto ambiental que pode causar.

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