Jens Schlueter/EPA, via Shutterstock
Jovens participam de protesto do Fridays for Future contra mudança climática em Leipzig, Alemanha, em agosto. Jens Schlueter/EPA, via Shutterstock

Marcha global pelo clima mobiliza ativistas em diversas cidades brasileiras

No Brasil, as manifestações ocorreram em São Paulo, no Rio e em Brasília. Atos foram registrados também em mais de 150 países, como Estados Unidos, Alemanha e Austrália

Renata Okumura e Danilo Casaletti*, *Especial para o Estado

20 de setembro de 2019 | 12h24
Atualizado 23 de setembro de 2019 | 08h28

SÃO PAULO - Em defesa do meio ambiente, jovens e ativistas de diversas partes do mundo se uniram na greve mundial pelo clima, nesta sexta-feira, 20, para cobrar medidas emergenciais contra o aquecimento global. As manifestações ocorreram em mais de 150 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Grécia, Japão, Austrália e Brasil. Em São Paulo, centenas de manifestantes também se reuniram, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, desde o fim da tarde desta sexta. Atos também ocorreram no Rio e em Brasília.

Puxando a marcha, na Avenida Paulista, um cordão com dezenas de crianças segurando cartazes e faixas com desenhos que remetiam ao meio ambiente. Em alguns deles, era possível ler frases como "estão destruindo o planeta" e "luta como uma criança". Luiza Cavalcante Oliveira, de 11 anos, disse  estar "indignada" com o que tem visto na televisão sobre as queimadas da Amazônia.  Desde abril, ela participa do Conselho Mirim da Câmara Municipal. "Fiquei triste, revoltada. Queria viajar para lá (a floresta) ajudar, mas não dava né? Decidi fazer algo aqui mesmo" disse, acompanhada por outras crianças do Conselho.

O estudante Arthur Prado, de 14 anos, disse que, para ajudar o meio ambiente, ele não usa mais canudo plástico, tenta produzir a menor quantidade de lixo possível e usar transporte público. Uma de suas inspirações é a ativista sueca Greta Thunberg, que viajou para os Estados Unidos com o objetivo de participar da reunião das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. "A atitude dela me interessou muito. Quando o professor pediu para escrever a biografia de alguém, fiz a dela. Genial a atitude dela de parar um dia na escola para fazer um protesto pelo planeta", contou.

Em Brasília

Os manifestantes se reuniram em frente à Biblioteca Nacional à tarde. No início da noite, caminharam em direção ao Congresso Nacional. Por volta das 19h, um grupo de cerca de 300 pessoas chegou ao gramado em frente ao Congresso Nacional. Parte dos manifestantes usava camisetas verdes e agitava bandeiras da mesma cor. Cartazes e faixas diziam “Somos a natureza”, “- carne + floresta” e “Não se respira dinheiro”.

O público presente ouviu atentamente a falas de políticos e representantes de movimentos estudantis e ambientais. Eles criticaram as políticas direcionadas ao desenvolvimento do agronegócio em detrimento da preservação da floresta.

“Temos um modelo de consumo, da forma com que as pessoas se relacionam com a natureza, que é insustentável. Ele prevê o crescimento a todo custo e isso tem um limite, e por não levar em conta uma série de questões que têm valor, mas não valor financeiro. As novas gerações estão reparando isso”, disse Raphael Sebba, porta-voz da Fundação Mais Cerrado.

A chegada ao gramado do Congresso e as falas dos organizadores encerraram o ato. Às 20h, a manifestação já havia se dispersado totalmente.

No Rio

Ativistas do meio ambiente se concentraram desde o início da tarde desta sexta-feira, 20, na Praça XV, no centro do Rio, em defesa da preservação das florestas, especialmente a Amazônia.

Carregando muitos cartazes com dizeres contra o desmatamento e pela preservação da natureza, os ambientalistas discursaram e depois saíram em caminhada pelas ruas centrais da cidade, até a Cinelândia, tradicional ponto de manifestações políticas, em frente à Câmara de Vereadores e o Theatro Municipal.

Para o ambientalista Sérgio Ricardo, defensor do meio ambiente no Rio de Janeiro, um dos fatores positivos da manifestação é a presença de muitos jovens, que acordaram para o problema. “Aqui no Rio, a região mais vulnerável é a Baixada Fluminense, onde houve a ocupação desordenada das margens de rios. E o mundo caminhando para aumento climático de 1,5 grau Celcius (°C), haverá fortes inundações das áreas litorâneas”, alertou o ambientalista.

Fridays for Future

As mobilizações são inspiradas no movimento Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro), greve estudantil em favor da defesa do meio ambiente criada no ano passado por Greta Thunberg, uma jovem ativista sueca de 16 anos. 

Em 2018, ela passou a protestar em frente ao parlamento de seu país contra as mudanças climáticas. E suas ações vêm conquistando o apoio de jovens de diversos países europeus. 

Pelo Twitter, Greta acompanha as mobilizações mundiais realizadas nesta sexta-feira. Os eventos estão previstos para ocorrer até o dia 27. 

Nas redes sociais, outra jovem ativista também chama a atenção para a urgência de ações em prol do meio ambiente. Katie Eder, de 19 anos, é diretora executiva da Future Coalition (Coligação Futura), organização norte-americana que promove mudanças sociais e ambientais. /COM AGÊNCIA BRASIL

Confira manifestações de crianças e jovens brasileiros nas redes sociais.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

É isso que vocês querem para seus filhos? #GreveGlobalPeloClima #ClimateStrike

Uma publicação compartilhada por Greve Pelo Clima Brasil (@fridaysforfuturebrasil) em

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Amazônia não é minha causa a Amazônia é minha casa, não posso pensar em parar de defende-la. Faço parte da mudança futura que tanto falaram, como presente não quero ser responsável por entregar um futuro pior para as próximas gerações, estamos devendo muito para o planeta e precisamos começar a parar de fazer novas dividas, não podemos continuar acabando com todas as riquezas naturais para que uma pequena parte da população mundial continue lucrando. Precisamos para agora . Sexta-feira tem greve pelo clima em todo o Brasil, precisamos lutar, nos não somos o futuro somos o agora, o futuro que tanto anunciaram chegou, e veio com uma conta de todas as gerações passadas que vieram jogando para as próximas gerações até chegar na gente, mas nos não podemos continuar nesse ciclo vicioso. Toda ação importa, todo grito ajuda, toda iniciativa é válida... os governantes precisam ser precionados para que olhem para o que está acontecendo e assuma que estamos em meio a uma crise climática, não temos escolha, nem tempo, se o sistema não pode mudar e funcionar de outra forma sem acabar com todos os recursos naturais talvez seja a hora de repensar o próprio sistema . Somos Filhos da Floresta estamos lutando e você vai fazer o que?? . . . @bttncrt #amazônia #somosfilhosdafloresta #ribeirinha #fridaysforfuture

Uma publicação compartilhada por Odenilze Ramos (@odenilzeramos) em

Esta é a terceira mobilização mundial pelo clima que conta com a participação brasileira. A primeira ocorreu em 15 de março e a segunda, em 24 de maio.  

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Marcha global pelo clima toma Nova York e cidades pelo mundo; veja imagens

Nesta sexta-feira, 20, atos pacíficos em todos os continentes cobram medidas contra emergenciais contra o aquecimento global

Giovana Girardi e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 13h04

NOVA YORK - Era início de tarde quando milhares de pessoas começaram a se concentrar na Foley Square, no centro de Manhattan, em Nova York, para marchar nesta sexta-feira, 20, contra as mudanças climáticas. O público é formado basicamente por jovens que faltaram à aula para tomar as ruas da cidade e protestar pacificamente. Entre as pautas, pedem o fim do uso de combustíveis fósseis e a proteção de florestas.

Em passeata, os jovens descem as ruas de Manhattan em direção ao Battery Park. Todos seguem o chamamento da adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que há mais de um ano começou a fazer protestos às sextas-feiras - as chamadas “Fridays for Future". Nos atos, Greta pede ação dos governantes contra o aquecimento global.

Na segunda-feira, 23, ocorre a Cúpula do Clima da ONU, convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterres, para clamar aos chefes de governo, empresários e lideranças a terem mais ambição no combate às mudanças climáticas. 

Crianças também participam do ato. Uma turma de cerca de 40 jovens entre 12 e 14 anos da George Jackson Academy era acompanhada por dois professores que entoavam: "Say it louder!". E os meninos respondiam: "Solar Power!". Os amigos Ethan e Johnny explicaram, modestos: “A gente está aqui para parar as mudanças climáticas”.

Simbolizando diversos “espíritos ecológicos”, integrantes de uma organização chamada Earth Celebration vieram de várias partes de Nova York usando fantasias feitas pela artista Felicia Young. Segundo afirmam, elas representam tanto soluções para o clima, que podem ser obtidas com florestas, por exemplo, quanto as consequências das mudanças climáticas. Uma delas, por exemplo, retratava os glaciares derretendo.

O trio de amigos Anna, Helena e Jack, todos de 18 anos, fazia pose em um poste com cartazes chamativos. “Nossos políticos não fazem nada, então cabe a nós fazermos”, diz Helena. “Eu estou literalmente aterrorizada com o que pode acontecer com o planeta. Como as pessoas conseguem viver calmamente como se tudo não fosse mudar em poucos anos”, afirma Anna.

A brasileira Carolina Schafer, de 29 anos, se juntou aos protestos com um cartaz sobre a Amazônia. Segundo ela, o protesto é uma forma de chamar atenção do mundo para a causa ambiental. “Para as pessoas perceberem que elas podem fazer a diferença, seja negando uma sacola de plástico, comendo menos carne ou plantando uma árvore”, diz. 

Alguns dos países mais afetados pelas mudanças climáticas são os pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Segundo a ONU, há 57 nesta categoria, como Jamaica, Porto Rico, Cuba, Fiji, Timor Leste, Cabo Verde, Bahrain e Cingapura. Após ter viajado 12 mil quilômetros desde a ilha de Tuvalu, na Oceania, a jovem ativista Eleala Avanitele diz que foi à manifestação para demonstrar as preocupações dos habitantes de regiões que mais sofrem com as mudanças climáticas, por causa de tempestades, enchentes e a elevação do nível do mar. "Queremos mostrar que isso é uma realidade nos nossos países, é a nossa vida diária e só estamos pedindo respeito e ajuda". 

Opinião semelhante tem a engenheira ambiental Maria Ortiz Esquivel, da Costa Rica, de 25 anos. Ela acredita que o movimento global fará mais gente compreender os efeitos da crise climática. "As mudanças começam quando as pessoas entendem que cada um pode fazer sua parte. Esses movimentos servem para a informação chegar mais rápido."

José Mupote, de 38 anos, veio de Moçambique para o protesto. O país tem sido afetado dramaticamente por catástrofes climáticas recentes. “Há muitos países que estão a sofrer diariamente situações de emergências climáticas, cheias, tempestades, secas, que estão transformando a geografia mundial. Muitas pessoas estão sem suas habitações, crianças sem escola, a passar fome. Precisamos de uma mobilização mundial para isso mudar e proteger nosso futuro.”

A estudante Hannah Torok, de 15 anos, é uma das milhares de jovens que vieram à greve para pressionar os políticos a adotarem medidas para reduzir as ameaças das mudanças climáticas. Em seu cartaz: “se vocês fossem mais inteligentes nós estaríamos na escola”.

​Marchas pelo mundo

Principal inspiração dos atos, Greta está em Nova York para participar da Cúpula do Clima da ONU. Ela acompanha as mobilizações no mundo pelo Twitter. Nos cinco continentes, crianças, adultos e idosos promovem manifestações em mais de 130 países, entre eles França, África do Sul, Japão, Austrália e Brasil. Abaixo, há imagens dos atos em várias partes do mundo.

França

Inglaterra

Alemanha

Turquia

Quênia

Uganda

 

​África do Sul

Ucrânia

Austrália

Indonésia

 

 

 

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    A ativista sueca de 16 anos, que inspirou o movimento ao iniciar uma greve há um ano, é citada como inspiração por crianças e adolescentes que participaram do ato desta sexta na região central de São Paulo. Bolsonaro e Trump foram alvos dos manifestantes

    Danilo Casaletti, Especial para o Estado

    20 de setembro de 2019 | 21h23

    SÃO PAULO - A greve geral pelo clima mobilizou centenas de manifestantes - grande parte crianças, adolescentes e várias famílias - na Avenida Paulista, região central de São Paulo, nesta sexta-feira, 20. A quase três mil quilômetros da Amazônia, a defesa da floresta foi a principal pauta do protesto, que também mirou os presidentes brasileiro Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump, cujas políticas para a área ambiental têm sido criticadas por ativistas. Atos ocorreram em diversas cidades do Brasil, como Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife, e do mundo, como Nova York

    Na passeata, que começou por volta das 18h15, um grupo do Conselho Mirim da Câmara Municipal, que reúne crianças de escolas municipais, estaduais e particulares da cidade, decidiu participar do ato há 15 dias. Gustavo Antunes, de 14 anos, era um deles. "Sinto que preciso ter essa responsabilidade. Em casa, separo lixo e evito usar materiais plásticos", contou. 

    Greta Thunberg, ativista de 16 anos que foi para os Estados Unidos com o objetivo de participar da cúpula do clima das Nações Unidas, é citada como inspiração de vários dos jovens. "Ela é incrível, vai ajudar a fazer um mundo melhor", disse Bárbara Moreira, de 11 anos, entusiasmada.

    Quem também se inspira em Greta é o estudante Arthur Prado, 14 anos. Incentivado por um professor a escrever uma pequena biografia como lição de casa, ele escolheu a ativista como personagem. "Vi que, assim como ela, podemos chamar a atenção das autoridades para a questão do clima", disse, acompanhado da mãe e do irmão Francisco, de 7 anos. 

    O estudante Juscelino Benites, de 15 anos, morador da comunidade indígena Tekoa, na região do Pico do Jaraguá, zona norte paulistana, disse estar preocupado com os jovens da comunidade onde mora.  À frente da caminhada,representantes do grupo Coalizão pelo Clima. Um pouco mais atrás, um grupo de 100 membros da organização não governamental (ONG) Greenpeace carregavam una faixa escrita "céticos do clima". Havia também um boneco de Bolsonaro com chapéu e nariz de Pinóquio.   

    Ao longo da caminhada, era possível ouvir gritos de "Fora Bolsonaro", "Amazônia sim, Bolsonaro não", "não é nuvem, é poluição". Não houve registro de episódios de violência. 

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