Inquérito culpa diretor por morte de animais em zoo de Goiânia

Responsáveis não foram indiciados porque a lei de crime ambiental não prevê situações culposas

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11 Setembro 2009 | 13h58

Inquérito concluído na quinta-feira, 10, pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente de Goiás (Dema) responsabilizou seis pessoas pela morte de animais no Parque Zoológico de Goiânia, entre elas o diretor do Zoo, Raphael Cupertino. Foram apontados como culpados também funcionários do parque e o professor de um curso de pós-graduação em medicina de animais selvagens, José Ricardo Pachaly.

 

O delegado Luziano Carvalho, titular da Dema, não indiciou nenhum dos responsabilizados, porque a lei de crime ambiental não prevê situações culposas, quando não existe a intenção de matar. Os seis deverão responder apenas civilmente. O diretor do Zoológico contestou a conclusão do inquérito, afirmando que os animais foram anestesiados para procedimentos indispensáveis, em função de problemas de saúde que apresentavam. "Seria negligência do Zoológico se não tomássemos a providência", justificou Raphael Cupertino.

 

O diretor Raphael Cupertino foi também responsabilizado junto com a zootecnista Rita Figueiredo de Carvalho Passeto e com o funcionário Bruno de Oliveira Brito pela morte de nove tracajás e de uma tartaruga da Amazônia, durante limpeza do tanque que abrigava os animais. As demais mortes registradas no Zoológico de Goiânia foram consideradas inconclusivas ou atribuídas a morte natural.

 

A investigação apontou que 6 entre 23 mortes ocorridas este ano e investigadas no processo ocorreram depois dos animais receberem anestesia. Cinco deles foram anestesiados durante módulo do curso ministrado pelo Instituto Qualitas e do que participaram o diretor do Zoo e funcionários.

 

As investigações começaram depois de constatada uma onda de mortes no parque, que atingiu 69 animais só este ano. Vários deles eram de grande porte, como duas girafas apreendidas de um circo em Brasília. O inquérito tentou identificar a causa de 23 mortes consideradas suspeitas e descobriu a existência de nexo entre 6 deles. Cinco animais - um leão, uma onça pintada, um tamanduá bandeira, uma queixada e um hipopótamo - foram anestesiados durante a pós-graduação, e um bisão recebeu o medicamento meses depois, para realização de exames a pedido da própria direção do zoo.

 

O curso do Instituto Qualitas era realizado em Brasília, mas as aulas chegaram a ser temporariamente transferidas para Goiânia para uma cirurgia no hipopótamo conhecido como Fofão, cujas presas estavam provocando perfurações na região nasal de sua face. Durante as aulas, sete animais foram anestesiados e cinco não resistiram. Além do professor José Ricardo Pachaly, foram responsabilizados o diretor do zoo e os veterinários José Carlos Fávaro Júnior e Alcides Mendes de Sousa Júnior, que participaram do curso. 

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