Indústrias de base emitem mais da metade do SO2 no Rio

Rio de Janeiro, Volta Redonda, Cantagalo e Duque de Caxias são as mais atingidas pelos poluentes atmosféricos

Clarissa Thomé, Agência Estado

03 Junho 2008 | 18h43

As indústrias de refino de petróleo, metalurgia e minerais não-metálicos (cimento, cerâmica, vidro e gesso) respondem por mais da metade das emissões de dióxido de enxofre (SO2) e particulados finos (PM10) no Estado. Os municípios do Rio de Janeiro, Volta Redonda, Cantagalo e Duque de Caxias são os mais atingidos por esses poluentes. O resultado faz parte de levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o potencial de poluição industrial, divulgado nesta terça-feira, 3. Com dados de 2003 e a partir de metodologia desenvolvida pelo Banco Mundial, os técnicos do IBGE estimaram o potencial de contaminação do ar pela indústria em todo o Estado do Rio. Depois do projeto piloto, a idéia é expandir o levantamento para o restante do País, o que deve ocorrer entre um e dois anos. "Esse levantamento indica e localiza as indústrias poluidoras. É de grande importância para o planejador (Estados, prefeituras) para direcionar recursos. Ele não dá a medida real da poluição, mas informa a capacidade de poluir", afirma a pesquisadora Rosane Moreno, da coordenadoria de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do IBGE. De acordo com o levantamento, a indústria fluminense tem o potencial de emitir 83 mil toneladas ao ano de dióxido de enxofre e 19 mil toneladas de PM10 (partículas sólidas ou líquidas muito finas, produzidas pela queima de combustíveis pesados, e muito nocivas ao aparelho respiratório). "Esses são dados teóricos e subdimensionados, e não tenho como comparar com medições feitas por órgãos ambientais. São informações válidas principalmente para regiões do Brasil que não tenham agências ambientais e onde as indústrias não controlam emissões de gases", disse Rosane. A título de comparação, os pesquisadores ranquearam a emissão de PM10, com dados de 2005. "Vimos, por exemplo, que São Paulo está em primeiro lugar na emissão dessas partículas, com 22% do que é emitido no País, seguido de Minas Gerais (21%) e Paraná (9%). O Rio está em sexto lugar, também com 9%", afirmou. O Banco Mundial desenvolveu a metodologia IPPS (Industrial Pollution Projection System) para atender os países que não têm dados sobre a poluição industrial, mas que possuem informações detalhadas da indústria, por conta dos levantamentos econômicos. Esse método utiliza parâmetros de emissão de poluentes da indústria americana, e não inclui atividades como termelétricas, indústrias de reciclagem, alcooquímicas, importantes na matriz industrial brasileiras. Os pesquisadores do IBGE têm planos de adaptar o IPPS à realidade nacional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.