Indústria têxtil lança indicadores de desempenho ambiental

Manual deve ajudar empresários do setor a buscar uma produção mais sustentável

Karina Ninni, estadao.com

30 Junho 2010 | 20h10

O Sinditêxtil (Sindicato da Indústria Têxtil de São Paulo) lançou este mês seu manual de indicadores de desempenho ambiental. O objetivo é fazer com que as empresas passem a adotar critérios de produção mais sustentáveis. Os indicadores escolhidos pelo Sinditêxtil foram: água consumida, água reutilizada, energia, carga orgânica, geração total de resíduos e resíduos recicláveis.

 

"Para chegar a esses indicadores levamos cerca de dois anos. Mas a indústria têxtil paulista é pioneira em produção mais limpa. Já nos anos 90 nós topamos participar de um programa piloto junto à Cetesb - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Os técnicos da Comapnhia passaram semanas dentro de algumas fábricas para mapear onde se consumia mais energia, mais água, onde se gerava mais resíduo. Fomos, por aasim dizer, as 'cobaias', logo que se começou a falar seriamente em produção mais limpa", relembra Eduardo San Martin, Coordenador de Meio Ambiente do Sinditêxtil.

 

A metodologia escolhida pelo Sinditêxtil foi a criação de quatro categorias para medir o consumo de recursos dos processos produtivos: preparação e fiação de fibras têxteis, tecelagem sem tinturaria, tecelagem com tinturaria e acabamento em fios, tecidos e artefatos têxteis.

 

"Mandamos questionários para todas as empresas afilidas ao sindicato sobre o consumo de água, de energia e a geração de resíduos. Em cada indicador, para cada categoria, chegamos a um intervalo de consumo, com um valor mínimo e um máximo. Quanto mais próxima do menor valos a empresa estiver, mais limpa sua produção", explica San Martin.

 

O engenheiro de segurança do trabalho e meio ambiente da Coats Corrente, Mário Rodrigues, apóia a iniciativa, e afirma que produzir de maneira mais limpa também significa, em muitos casos, reduzir os custos de produção.

 

"A Coats Corrente é a pioneira na utilização de água de reúso para aplicação industrial. Fazemos isso desde 1997. Como nossa fábrica fica perto da estação de tratamento da Sabesp, construímos toda a canalização da estação até a sede. Reduzimos em cerca de 80% nosso custo com água", explica Rodrigues.

 

Não por acaso, o melhor desempenho da empresa é justamente no indicador "água consumida": 190 m³ por tonelada de produto. O intervalo previsto pelo Sinditêxtil na categoria à qual pertence a empresa (tecelagem com tinturaria) vai de 20m³ a 300 m³ por tonelada de produto.

 

"Precisamos agora trabalhar para melhorar outros indicadores, como o consumo de enregia, que está próximo do limite máximo - consumimos 4.600 kw/hora por tonelada de produto e o teto na nossa categoria é de 4.700kw/hora", afirma Rodrigues, salientando que os intervalos que constam do manual ainda são muito grandes, o que dificulta o caminho das empresas rumo à produção limpa.

 

San Martin concorda que os intervalos por categoria ainda são muito grandes. "Isso é nossa primeira tentativa de estabelecer parâmetros. Agora a ideia é refinar os indicadores para os próximos anos, fazer com que os empresários respondam os questionários com a máxima acuidade possível para tentar reduzir esses intervalos", diz ele.

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