Índios recebem compensação por rodoanel

Os R$ 6 milhões pagos para as tribos forma para a Funai para aquisição de novas terras

Bruno Ribeiro, Jornal da Tarde

05 Julho 2010 | 15h38

Eles vivem do artesanato, da ajuda de organizações não-governamentais (ONGs), de empregos no setor público e, também, da caça, da pesca e de pequenos viveiros. Mas têm R$ 6 milhões guardados no banco. Os índios das três aldeias guaranis da cidade de São Paulo receberam essa bolada como compensação pela construção doTrecho Sul do Rodoanel. Mas a quantia não vai para as mãos deles. Será usada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para adquirir novas reservas e transferir parte das tribos.

 

“Aqui as terras são poucas para a gente viver bem”, diz o cacique Ataíde Gonçalves Vilharve, de 24 anos, da aldeia Barragem, na zona sul.Embora a aldeia viva em situação de pobreza, ele diz que a tribo aguarda a chegada das terras – não do dinheiro. Há cerca de mil índios vivendo nas aldeias Barragem e Krukutu, na região de Parelheiros, a pelo menos 8 quilômetros do Rodoanel (nas margens da Represa Billings). A outra aldeia, a Jaraguá, na zona norte, fica entre as Rodovias Bandeirantes e Anhanguera e também foi beneficiada.

 

Para os índios, o Rodoanel agravou os transtornos originados pelo adensamento de Parelheiros – que teve a população aumentada em 84% entre 1991 e 2000. Reduziu o espaço para a caça e o número de animais e tirou a tranquilidade.

 

Compensação

 

A presença das aldeias da zona sul foi, em parte, uma das complicações no processo de licenciamento ambiental que antecedeu o Rodoanel, que levou cinco anos para sair. O acordo da empresa estadual Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) com a Funai previu transferênciadeR$2milhõespara cada uma das três tribos. “O depósito servirá para adquirir novas áreas para os indígenas e, com isso, ampliar as áreas hoje ocupadas por eles”, diz a Dersa, em nota. Juntas, as aldeias têm cerca de 50hectares. A expectativa é que a nova área tenha 100 hectares para cada uma.

A Funai não diz se já foi definida uma data para que o processo de seleção das terras termine. Também não fala quantas famílias devem deixar as aldeias da capital. Só quando isso acontecer o dinheiro poderá ser sacado pela fundação.

 

Para lembrar

 

A área das aldeias Krukutu e Barragem começou a ser ocupada por tribos guaranis na metade dos anos 1950. Índios vindos do Paraná se fixaram na região após contato com um sitiante japonês que ocupava as terras. O homem teria voltado para o Japão, deixando a propriedade com os guaranis. Ao mesmo tempo, a população de Parelheiros cresceu sem controle.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.