Índia rejeita proposta dinamarquesa

País asiático não aceitará o limite de 2025 para reduzir suas emissões

Muneeza Naqvi, da Associated Press

30 Novembro 2009 | 18h02

O governo indiano rejeitou a proposta feita pela Dinamarca, que espera que as economias em desenvolvimento atinjam um pico e comecem a enfraquecer as suas emissões de gases de efeito estufa até 2025. A minuta do documento foi enviada a alguns países que participarão da Conferência do Clima em Copenhague, de 7 a 18 de dezembro.

 

O ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, disse que a proposta dinamarquesa é "totalmente inaceitável", de acordo com reportagem do The Economic Times. "Nós nunca vamos aceitar um pico absoluto para as emissões. Isso não está no nosso horizonte",disse Ramesh aos dinamarqueses, segundo o jornal.

 

Em Copenhague, o primeiro-ministro Lars Loekke Rasmussen disse que a Dinamarca não apresentou uma proposta oficial, estava apenas consultando "todos os principais interessados" antes da Conferência do Clima.

 

De acordo com as publicações The Economic Times e Times of India, o documento dinamarquês sugere 2025 como o ano limite para que Índia atinja seu nível máximo de emissões, a partir do qual comece a diminuir a liberação de gases estufa na atmosfera.

 

Cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) alertam que as mudanças climáticas podem ser catastróficas se a temperatura global aumentar em 2º C. Para impedir isso, as emissões de gases de efeito estufa deveriam atingir um pico nos próximos anos e depois começar a diminuir até a metade do século.

 

A Índia se declarou preparada a tomar medidas para reduzir o crescimento de suas emissões, mas se recusa a aceitar as mesmas limitações dos países desenvolvidos.

 

Na semana passada, a China anunciou que reduzirá a sua intensidade de emissão de 40% a 45% até 2020, com base nos níveis de 2005. A meta significa que os chineses continuarão aumentando as emissões junto com a expensão da economia, mas quase metade do que aumentariam caso não fosse adotada nenhuma medida. Ramesh disse que a Índia está revendo sua posição após o anúncio da China, mas ainda não conseguiu chegar a nenhum número.

 

O ministro do Meio Ambiente sueco, Andreas Carlgren, contou à Associated Press que haveria  indícios de que a Índia apresentará uma meta em breve. "A Índia é importante, mas eu também acho importante finalizar as discussãos com Estados Unidos e China sobre suas ambições", disse Carlgren, em Estocolmo.

 

"A Índia está disposta a assinar uma meta global ambiciosa para redução de emissões, desde que os países em desenvolvimento possam dividir o fardo de financiar as ações de mitigação", afirmou o principal negociador da delegação indiana, Shyam Saran, em entrevista ao The Economic Times. "Mas assinar um acordo nos mesmos termos dos países desenvolvidos, isso simplesmente não será possível."

 

A Índia, assim como outros países em desenvolvimento, quer manter o quadro do Protocolo de Kyoto, que exige que 37 nações desenvolvidas cortem suas emissões até 2012, mas não inclui países em desenvolvimento.

 

Em Copenhague, os negociadores precisarão decidir se vão manter Kyoto em seu segundo período e quais serão as novas metas. Discutirão também a criação de um acordo mais abrangente, com maior número de países comprometidos. A expectativa inicial era de produzir um tratado final sobre as mudanças climáticas, mas isso agora parece fora de alcance. Os países esperam, ao menos, que se chegue a um acordo geral, deixando de lado apenas detalhes e questões técnicas e de linguagem jurídica para serem concluídos nos próximos seis ou 12 meses.

 

Colaboraram Jan M. Olsen e Karl Ritter, da AP

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