Índia promete corte de até 25% em intensidade de CO2

A Índia pretende reduzir a intensidade de carbono emitida pelo país de 20 a 25 por cento até 2020 em comparação com os níveis de 2005, tornando-se o mais recente grande emissor a prometer metas que podem estimular as negociações climáticas globais da próxima semana.

KRITTIVAS MUKHERJEE, REUTERS

03 Dezembro 2009 | 16h01

A intensidade de carbono diz respeito à quantidade de dióxido de carbono emitida para cada unidade do Produto Interno Bruto.

Depois de os EUA e a China terem anunciado seus planos para reduzir emissões, a Índia vinha sofrendo pressões intensas para divulgar metas antes da conferência da ONU em Copenhague em 7-18 de dezembro.

Mas suas metas modestas podem não impressionar os países ricos, já que, como a China, as metas da Índia não precisam obrigatoriamente ser cumpridas. A terceira maior economia da Ásia e quarta maior do mundo também se negou a comprometer-se com uma data a partir da qual começará a reduzir suas emissões.

"A Índia não pode ser como um sapo em um poço, ela precisa mostrar liderança a seu próprio povo. Precisamos mostrar ação", disse ao Parlamento o ministro do Meio Ambiente indiano, Jairam Ramesh, apresentando pela primeira vez a posição de negociação da Índia antes das conversações em Copenhague.

"Precisamos ser flexíveis sem comprometer nosso interesse nacional básico. A Índia não aceitará um corte de emissões que tenha a obrigação legal de cumprir."

A meta de intensidade de carbono ainda significa que as emissões indianas vão subir nos próximos anos, apenas que não subirão tão rapidamente quanto o crescimento econômico necessário para tirar milhões de seus habitantes da pobreza.

Ramesh disse que a Índia aceitará a verificação internacional de seus esforços de redução de emissões desde que eles tiverem o apoio financeiro e tecnológico do exterior.

Como outros países em desenvolvimento, a Índia condicionou quaisquer cortes grandes nas emissões ao recebimento de ajuda financeira do mundo desenvolvido, que vê como responsável pela maior parte do problema do aquecimento global.

A posição da Índia é especialmente difícil, já que qualquer ajuste importante para deixar sua indústria mais verde sem apoio financeiro externo seria muito caro e prejudicaria seu crescimento econômico.

Pelos pactos globais vigentes, os países em desenvolvimento não são obrigados a fazer cortes. Eles afirmam que podem passar a poluir menos se receberem ajuda dos países ricos.

Muitos países em desenvolvimento, como China, Índia e o Brasil, dizem que estão tomando medidas voluntárias para frear o aumento de suas emissões, como o uso maior de energia renovável e a adoção de padrões de eficiência energética.

As conversações em Copenhague visam principalmente definir um pacto global legalmente compulsório depois de discussões entre países ricos e pobres sobre quem deve reduzir emissões, o tamanho dessas reduções e quem deve pagar por elas.

O prazo das negociações já se esgotou, mas ainda há esperança de que seja possível fechar um pacto político substancial na conferência.

A China pretende reduzir sua intensidade de carbono até 2020 em 40-45 por cento em relação a 2005. Os EUA assumiram o compromisso de reduzir suas emissões de gases estufa em cerca de 17 por cento abaixo do nível de 2005 até 2020, uma redução de 3 por cento abaixo do marco do ano 1990 usado nos tratados da ONU.

O Brasil assumiu no mês passado um compromisso voluntário de reduzir em 36,1 por cento a 38,9 por cento suas emissões estimadas para 2020, antes de Estados Unidos e China também estabeleceram suas metas.

O presidente norte-americano, Barack Obama, e o premiê chinês, Wen Jiabao, estão entre 98 líderes mundiais que vão comparecer ao encontro de 7-18 de dezembro em Copenhague, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

(Reportagem adicional de Matthias Williams, C.J. Kuncheria e Bappa Majumdar)

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