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Índia e China resistem a pedidos de apoio a pacto climático

Países, que estão entre os maiores emissores de poluentes, não querem ter metas de redução obrigatórias

KRITTIVAS MUKHERJEE, REUTERS

12 Fevereiro 2010 | 15h46

Índia e China têm resistido às solicitações para que assinem o Acordo de Copenhague para o combate do aquecimento global, que corre o risco de sair sem o apoio claro dos principais emissores.

 

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Os dois países ainda não divulgaram se querem estar entre os "associados" do Acordo, anunciado após uma reunião de líderes de economias emergentes e dos EUA durante a cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague em dezembro.

"Esse ponto ainda está sendo analisado", disse uma autoridade indiana na sexta-feira. Autoridades da Índia afirmaram que o Secretariado da ONU para a Mudança Climática escreveu uma carta a Nova Délhi pedindo um esclarecimento sobre seus pontos de vista, "preferencialmente" até 10 de fevereiro.

Assim como Nova Délhi, Pequim manifestou apoio ao acordo, mas não chegou a dizer se quer ser "associado". Os associados serão listados no topo do texto de três páginas.

"Não há uma concordância sobre quais são as implicações dessas terminologias e linguagens", disse uma autoridade indiana.

Sem eles, o acordo corre o risco de degringolar. Os EUA já disseram que querem ser "associados" apenas se os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento "mais avançados" também assinarem o documento. Até agora, cerca de 80 dos 194 membros da ONU concordaram com o Acordo.

O Acordo de Copenhague estabelece como objetivo limitar o aquecimento global em menos de 2 graus Celsius acima da época pré-industrial, e defende a perspectiva de US$ 100 bilhões de ajuda anual a partir de 2020, com US$ 10 bilhões a partir de 2010-12.

Os países em desenvolvimento temem que o apoio forte ao Acordo de Copenhague poderia enfraquecer a Convenção do Clima da ONU de 1992, que diz que os países em desenvolvimento precisam assumir a liderança na redução das mudanças climáticas, que vão da desertificação à elevação do nível das marés.

A África do Sul e o Brasil, que formam o grupo Basic com a China e a Índia, manifestaram a disposição de se tornarem associados após receberem as cartas com pedido de esclarecimento do Secretariado da ONU.

"Nós recebemos (a carta da ONU) e respondemos afirmativamente, assim como o Brasil", disse Alf Will, diretor adjunto do Departamento de Assuntos Ambientais da África do Sul.

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