Índia chega a meta provisória de 24% de redução até 2020

País pretende alcançar objetivo aumentando em 20% sua eficiência energética até 2020

Fernanda Fava,

02 Dezembro 2009 | 15h35

A Índia apresentará meta provisória de 24% de redução das suas emissões de carbono até 2020, com relação aos níveis de 2005, de acordo com estimativas do governo indiano, divulgadas pela Reuters nesta quarta-feira. Até 2030, o país asiático acredita que a diminuição possa chegar a 37%. Estes dados foram obtidos após uma análise feita por vários departamentos do governo da Índia.

 

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Um representante do governo que não quis ser identificado disse que uma meta final poderá ser apresentada na próxima semana, durante as negociações sobre mudanças climáticas em Copenhague, que começam dia 7. Ainda de acordo com ele, os números apresentados representariam muito mais uma faixa abrangente de valores do que uma taxa específica. A meta anunciada foi baseada em uma projeção de que o país poderia alcançar 20% de eficiência energética até 2020, com base nos níveis de 2007. A Índia é o quarto maior emissor mundial de gases de efeito estufa e vinha sofrendo pressão para que anunciasse detalhes de como será o controle de suas emissões.

 

Os números apresentados fortalecem a imagem da Índia nas negociações de Copenhague. Em novembro, China e Estados Unidos, o primeiro e o segundo maiores poluidores mudiais, estabeleceram suas metas, deixando para trás a Índia, um dos únicos grandes emissores mundiais que ainda mostrava resistência a assumir compromissos.

 

Fontes do governo disseram que o ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, fará um

pronunciamento no Parlamento nesta quinta-feira para anunciar as novas metas.

 

Ritmo mais lento

As projeções provisórias da Índia são voluntárias e suscetíveis às políticas internas do país, não são mensuráveis e nem verificáveis por órgãos internacionais. Além disso, não ficou claro se a Índia concordará realmente em comprometer suas metas de redução num tratado global. Os números anunciados não impedem que a Índia continue aumentando as emissões nos próximos anos, apenas indica que a taxa de crescimento será menor do que antes, e mais baixa do que o rápido crescimento econômico que será necessário para tirar milhões de indianos da pobreza.

 

De acordo com uma análise do WWF na Índia, o país teria capacidade de frear de 12% a 14% do crescimento de suas emissões até 2020, a partir dos níveis de 2007. "Olhando para as metas de energia renovável da Índia e para os planos ligados ao setor florestal do país, isso é possível", disse Shirish Sinha, chefe de mudanças climáticas e do programa de energia da WWF Índia. "Nossa análise não leva em conta as ações previstas em setores como transporte e construção."

 

Países em desenvolvimento não são obrigados a reduzir suas emissões no âmbito do Protocolo de Kyoto. Mas essas nações têm dito que poderiam fazer a transição para uma economia menos poluente, se puderem contar com a ajuda dos países desenvolvidos. Alguns países em desenvolvimento, como a China, se comprometeram voluntariamente a reduzir suas emissões com um uso maior de energias renováveis e outras iniciativas ligadas a eficoência energética.

 

A Índia acusou os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, de oferecer metas "anêmicas", mas afirmou que esses países ainda poderiam ajudar a selar um acoro global através da transferência de tecnologia e do financiamento de ações de adaptação e mitigação para algumas das populações mais vulneráveis do planeta. (Com a coleboração de Krittivas Mukherjee, da Reuters)

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