Incra cancela títulos de terra de empresário sueco na Amazônia

Próximo passo do Ibama é realizar uma vistoria na área e apreender cerca de 5 mil m³ de madeira ilegal

Michelle Portela, especial para o Estado,

06 Junho 2008 | 17h58

As Superintendências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Amazonas vão cancelar a autorização de exploração madeireira e os títulos de terra da empresa Gethal, proprietária das áreas atribuídas ao empresário sueco Johan Eliasch. A ação é uma resposta governo brasileiro à polêmica sobre a posse de terras na Amazônia por estrangeiros.   Veja Também: Ibama multa em R$ 450 mi madeireira de sueco no Amazonas  É quase impossível impor regras na Amazônia, diz 'Economist'  Ações diárias que salvam o planeta   Acompanhe a trajetória do desmatamento na Amazônia; abril teve mais desmate  Leia a edição online da Revista da Amazônia   Fórum: é possível salvar a floresta amazônica?    O superintendente do Ibama, Henrique dos Santos Pereira, pediu nesta sexta-feira, 6, à divisão técnica do órgão que cancele os planos de manejo da Gethal, já que a empresa não cumpriu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2005, gerando as infrações que somas cerca de R$ 381 milhões de reais em multas e outras sanções, além de embargo federal nas áreas do plano de manejo da empresa.   "Pedimos que a empresa apresentasse os documentos de registro do imóvel, o que não ocorreu. Em consulta ao Incra, recebemos a resposta de que os certificados estavam inibidos, quer dizer, não seriam renovados. Frente a isso, somos obrigados a revogar as autorizações", explica o superintendente.   A principal multa refere-se à extração, transporte e comércio de 699.809 metros cúbicos de madeira em desacordo com a legislação vigente. Esse volume equivale a cerca de 230 mil árvores da floresta na região de região de Manicoré (AM). "Mais do que uma exigência do Ibama, é da legislação brasileira", disse Henrique Oliveira.   Na iminência das irregularidades cometidas pela Gethal, a superintendência do Incra no Amazonas embargou as áreas da empresa, que detinha 57 propriedades, que somam 121.200 hectares, segundo levantamento em cartórios realizados pelo instituto.   O próximo passo do Ibama para fiscalizar a empresa Gethal é realizar uma vistoria pós-exploratória na área, quando espera-se apreender 5 mil metros cúbicos de madeira explorada ilegalmente e não comercializada.

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