Luiz Lacerda/ICMBio
Luiz Lacerda/ICMBio

Incêndios na Amazônia ameaçam espécies como o gato-maracajá e o peixe-boi

Espécies ameaçadas enfrentam 'desequilíbrio ambiental, caça e pesca predatórias, poluição do solo, além de perda ou fragmentação de seus hábitats', diz especialista

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 07h43

Correções: 24/08/2019 | 14h42

A propagação de fortes incêndios que se estendem pela Amazônia podem acelerar a destruição de espécies da fauna e da flora já ameaçadas, como o gato-maracajá e o peixe-boi, mamífero aquático de grande porte. 

"Dependendo do grau do incêndio, pode haver uma extinção local de algumas espécies, porque as que conseguem sobreviver não voltarão ali e buscarão outros hábitats", afirma o biólogo e veterinário Rubens Pascual. 

Para o especialista, outro problema é que não existem nas zonas dos incêndios amazônicos centros de atenção especializados em veterinária de emergência que, segundo ele, "poderiam salvar muitos dos animais que estão feridos e morrem por falta de atenção". De acordo com o pesquisador, "estamos falando de regiões remotas até para ajudar aos seres humanos". 

Pascual lembrou que mamíferos, peixes, répteis e anfíbios que habitam a Amazônia já estavam ameaçados pelos estragos do homem com o desmatamento, caça ilegal e mineração.

A professora universitária e bióloga Juliana Diana mostrou em um estudo recente que as espécies ameaçadas enfrentam "desequilíbrio ambiental, caça e pesca predatórias, poluição do solo, além de perda ou fragmentação de seus hábitats". 

A Floresta Amazônica, diz ela, "tem uma função ambiental muito importante e o número de animais que compõem a lista de espécies em perigo de extinção vem aumentando a cada ano, o que tem criado grande impacto para a fauna brasileira". 

Juliana elaborou uma lista dos animais mais propensos à extinção. O felino conhecido como gato-maracajá encabeça a lista, e seu nome também aparece no Livro Vermelho da Fauna Brasileira do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente

O peixe-boi, que cumpre a função de agente controlador natural da vegetação, e a lontra gigante são outras espécies afetadas pelos incêndios. Entre as aves, se destacam por sua vulnerabilidade a arara amarela e o gavião real.

Outros felinos, como a onça pintada, também correm o mesmo perigo. Os primatas tampouco escapam da ameaça de extinção acelerada pelo fogo, como o macaco-aranha e o sauim-de-coleira.  O tamanduá, o pássaro jacú e os botos cinza e rosa também podem sentir as consequências das chamas. 

A flora, aponta Juliana, é diretamente afetada pelas queimadas em uma região com cerca de 20 mil espécies vegetais nativas. O pau-rosa, por exemplo, está na Lista Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e está em quase todas as regiões onde há focos de incêndio. 

Outras plantas na zonas de incidência do fogo são o mogno, o cravo-do-Maranhão, a castanheira, a flor de Carajás, entre outros. Segundo a especialista, a expansão de alguns centros urbanos e a construção de hidrelétricas na Amazônia já vêm contribuindo, nos últimos anos, para a destruição da fauna e da flora local. /AGÊNCIA EFE        

Correções
24/08/2019 | 14h42

Diferentemente do publicado, o gato-maracajá não se trata de uma espécie de leopardo. Não existem leopardos no Brasil. Também por erro de tradução, o tamanduá foi incorretamente chamado de urso formigueiro.

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