Lucas Dantas/PMG
Lucas Dantas/PMG

Impressora 3D permite recuperar bico de seriema do Zoológico de Guarulhos

Ave idosa, que está no zoo há 26 anos, enfrentava dificuldades para se alimentar

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 05h02

Com o auxílio da tecnologia, uma seriema de 28 anos do Zoológico de Guarulhos recebeu um bico novo, feito em uma impressora 3D, e voltou a se alimentar normalmente. Essa espécie vive em média 25 anos e essa veterana tinha fraturado parte do bico

“A gente já tinha tentado fazer prótese de bicos e nunca ficava bom. Então tivemos a parceria de um veterinário especialista em odontologia e outros dois profissionais que trabalham com escaneamento para fazer prótese em humanos”, explica a veterinária Claudia Igayara, que coordenou o projeto.

Ela conta que essa seriema é uma ave idosa, que está no zoológico há 26 anos e sempre teve problema no bico, que acabava crescendo demais. “Essa deformidade acabou provocando um enfraquecimento do bico e provavelmente isso fez com que a metade superior se quebrasse”, diz.

A seriema é uma ave carnívora, que se alimenta de serpentes, pequenos roedores e carne em pedaços. No zoológico, tem ratos em sua refeição, que são oferecidos já abatidos, mas a forma como se alimenta pode ter contribuído para danificar o bico: o animal pega a presa e bate no chão, como se fosse para matar. Depois se alimenta.

Com o bico machucado, a seriema não conseguia comer. “A gente precisava alimentar ela pelo bico ou passar sonda. Isso acaba sendo muito ruim para o animal e atrapalha o seu bem-estar. Então fizemos uma prótese e ela ficou duas semanas nisso. Depois disso, conseguimos o novo bico, através da parceria com o doutor Claudio Chedid”, diz.

O dentista responsável pela produção da prótese lembra que essa tecnologia é bastante utilizada na odontologia e eles conseguiram adaptar com sucesso para o zoológico. Chedid fabricou de metal leve e altamente resistente, com uma cobertura fina de cerâmica, para ficar com uma aparência mais bonita e natural.

Para fazer o objeto com precisão, a equipe fez uma série de escaneamentos para obter as imagens do bico da seriema em diversos ângulos. Depois, enviou o material para uma impressora 3D e o resultado ficou ótimo. No fim, houve a aplicação da cerâmica com cores semelhantes ao bico original.

A cirurgia foi rápida e durou cerca de uma hora, com todos os cuidados para não estressar o animal. “O encaixe ficou perfeito na parte que restava do bico. Por ser feito com um metal leve, mas com resistência muito boa, ficou ótimo. E a prótese foi parafusada, então acreditamos que vai durar bastante tempo”, conta Claudia.

Depois da cirurgia, o animal foi devolvido ao seu recinto e no dia seguinte já estava se alimentando normalmente. “Agora temos de acompanhar o animal, para ver se vai ter qualquer problema daqui para a frente”, diz. O Zoológico de Guarulhos não revelou quanto custou todo o processo de recuperação do bico da seriema, mas enfatizou que a prótese foi uma doação e, portanto, não custou nada aos cofres públicos da prefeitura da cidade na Grande São Paulo.

Técnica já deu próteses a tucano e jabota

Segundo a veterinária Claudia Igayara, a técnica servirá no futuro para melhorar o bem-estar de animais como tucanos, por exemplo, que possuem bicos grandes e sofrem com esse tipo de problema. Em 2020, um tucano do Zoológico de Brasília recebeu uma nova prótese para o bico inferior, feita com resina fotossensível em 3D. 

Quem também passou por um processo parecido de prótese foi uma jabota. Ela teve seu casco destruído em um incêndio e ganhou uma prótese feita em impressão 3D. 

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