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‘Ideia é que população possa cobrar os governos’, diz roteirista

Diretor britânico lidera campanha Project Everyone, cuja ideia é divulgar os objetivos globais para 7 bilhões de pessoas em 7 dias

Entrevista com

Richard Curtis

Murillo Ferrari, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 07h20

SÃO PAULO - O roteirista e diretor britânico Richard Curtis, conhecido por filmes como Um Lugar Chamado Notting Hill e O Diário de Bridget Jones, lidera a campanha Project Everyone, cuja ideia é divulgar os objetivos globais para 7 bilhões de pessoas, no prazo de uma semana, a partir do lançamento da iniciativa dos líderes mundiais na ONU. Em entrevista ao Estado, Curtis disse que todos os pilares da comunicação dos dias atuais, de escolas a igrejas, passando por rádios, TVs, filmes e formatos online, além da parceria com artistas e atletas em todo o mundo, serão usados para cumprir o objetivo do projeto.

Jogadores como Neymar e Daniel Alves, por exemplo, participaram da dublagem de um curta de animação sobre o tema, enquanto Gilberto Gil, Criolo e Lenine se envolveram na curadoria de uma estação de rádio, chamada Radio Everyone, que estará disponível em www.globalgoals.org. Curtis avaliou ainda que a participação de governos será tão importante quanto a dos cidadãos para cumprir os objetivos. “A ideia é criar sistemas para que a população possa cobrar os seus governos.”

Como acreditar que é possível alcançar tanta gente em tão pouco tempo?

Basicamente é a confiança em cada uma das pessoas. Se cada uma se esforçar o bastante, vamos conseguir. Vamos tentar cobrir todas as áreas possíveis e fazer nosso melhor.

E por que sete dias?

É claro que o que nós mais queremos é que os objetivos sejam lembrados e discutidos nos próximos 15 anos, mas vamos começar concentrando todos nossos esforços nessa primeira semana, enquanto o lançamento da ONU for uma história nova.

Depois desse prazo, quais são os próximos passos?

Um dos meus objetivos é que, pelo menos uma vez por ano, nós consigamos relembrar as pessoas dos objetivos globais, analisar o que já foi feito, como estamos nos saindo e cobrar os governos. Nesse sentido, Chris Martin e sua banda, o Coldplay, junto com a Global Citizen, se comprometeram a fazer 15 shows nos próximos 15 anos – sempre nessa época, em setembro – para chamar a atenção das pessoas para esses problemas. Também temos uma série de atividades como a “Maior Aula do Mundo”, um plano de aulas universal que contemple as metas e possa ser usado por professores ao abordar o tema em aula.

Qual a importância do Brasil em um projeto como esse?

O Brasil representa os países em desenvolvimento que tentam cumprir suas metas, incluindo o aspecto ambiental, que nem países desenvolvidos fazem. Ou seja, o Brasil está muito envolvido.

Em 2000 a ONU lançou os 8 Objetivos do Milênio. O senhor acha que a falta de iniciativas como a sua, de divulgação popular, contribuiu para eles não serem cumpridos em muitos casos?

Foi justamente por essa necessidade de divulgação que eu iniciei o Project Everyone. Amina J. Mohammed, conselheira do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na criação do Plano de Desenvolvimento Pós-2015, me disse o quanto é importante que as metas sejam conhecidas para que ações sejam planejadas. Então, a ideia de que as pessoas tenham consciência dos objetivos globais desde o primeiro momento foi o meu argumento inicial para criar a iniciativa.

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