Carlos Ezequiel Vannoni/EFE
Carlos Ezequiel Vannoni/EFE

Ibama e governo de Pernambuco divergem sobre efetividade de boias para conter óleo nas praias

Órgão federal diz que as contenções só seriam efetivas se fossem monitoradas 24h por dia

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2019 | 10h50

SÃO PAULO - O uso de boias para conter a contaminação das praias de Pernambuco pelo óleo que poluiu as praias do Nordeste provocou uma divergência entre o governo estadual e o Ibama. Olivaldi Azevedo, diretor de proteção ambiental do órgão federal, disse que as boias são ineficientes para conter o avanço da mancha e que o governo federal busca alguma "tecnologia diferente" para lidar com a situação. 

A força da maré fez manchas de óleo voltarem a aparecer no litoral pernambucano nos últimos dias. Mais de 20 toneladas do produto, que se espalhou desde o Maranhão até a Bahia, já foram retiradas das praias de Pernambuco, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Há pelo menos dez dias, o governo federal enfrenta um imbróglio judicial para fornecer e instalar as boias de contenção. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação para que a União fizesse a proteção. 

"Tinha uma liminar para colocarmos as barreiras em 24 horas. Colocamos e mostramos que são ineficientes. Soaria como irresponsabilidade do órgão ambiental em não se empenhar em colocá-las, mas na maioria dos locais elas não têm efeito positivo nenhum", disse Azevedo durante entrevista coletiva neste domingo, 20.

José Bertotti, secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, discordou da afirmação de Azevedo e defendeu que o governo federal forneça as boias de contenção. "Se as barreiras não são 100% eficientes, elas podem ao menos minorar o problema. Vamos continuar perseguindo a colocação das boias, porque, se elas não conseguem conter todo o óleo, ao menos reduzem a quantidade de resíduo que chega às praias. Queremos que sejam colocadas em todas as portas de estuário". 

Além de cobrar do governo federal recursos ou o envio das barreiras, Bertotti também exigiu que a União envie equipamentos de proteção individual (EPI) para quem está fazendo a limpeza nas praias e para o recolhimento e descarte adequado dos resíduos. "A Praia de Carneiros está sem barreira, mas tem redes de pesca que foram colocadas para evitar que esse óleo volte a chegar à praia que foi limpa em menos de três horas por 200 pessoas. Até agora não recebemos nada do governo federal, é tudo recuros do estado". 

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Recurso

O almirante Leonardo Puntel, comandante de Operações Navais e que coordena as operaçãoes relacionadas ao desastre ambiental no Nordeste, garantiu que o governo federal vai repassar para os Estados e municípios todo o valor que gastaram em consequência do avanço do óleo. "Todos os órgãos que atuaram nessa situação, sejam municipais ou estaduais, vão ter o repasse de recursos necessários. Vamos cobrir esses custos". 

A mancha de óleo acentuou atritos entre o governo Jair Bolsonaro e os governadores do Nordeste, região em o presidente teve sua pior votação. No sábado, 19, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o governador da Bahia, Rui Costa (PT), ficaram trocando acusações pelo Twitter sobre a falta de ajuda do adversário para a limpeza das praias.

Na sexta-feira, 18, oito dos governadores divulgaram uma carta conjunta em apoio ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), com quem Bolsonaro também havia tido atritos pelas redes sociais. "O país precisa de reunião de esforços para superar enormes desafios. É fundamental que este compromisso, que todos esperamos ver cumprido pelos gestores públicos, não seja debochadamente ignorado por alguém que deveria ser uma de suas maiores referências", diz trecho do documento. 

 

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