Homem nos EUA guarda todo o lixo que produziu por oito meses

Chameides disse pensar no experimento de um ano como sua contribuição ao estudo do consumismo

AP

15 Agosto 2008 | 15h00

Sem precisar levantar uma pá, um arqueólogo poderia atravessar a casa de Dave Chameides e ter uma boa idéia de como ele viveu nos últimos oito meses. Veja também: Blog do desafio de Chameides (em inglês) Blog do No Impact Man   Garrafas vazias mostram o caminho pelas escadas. Caixas de pizza se enfileiram na parede. No porão ele organizou bandejas, saquinhos usados de chá e sacolas plásticas.  Foto: AP Quase todo o lixo de Chameides foi preservado cuidadosamente, em uma demonstração do volume de lixo produzido por cada pessoa todos os dias.  O que é ainda mais surpreendente é que ele não é evidência disso. Enquanto o norte-americano médio produz 400 quilos de lixo em oito meses, Chameides produziu apenas 14 quilos.  "Toda vez que conto às pessoas o que estou fazendo, elas me olham daquele jeito enrugado e então perguntam 'desculpe, o que você está fazendo?", disse o cameraman do seriado Nip/Tuck. "Eu digo a elas que sei que é uma loucura." Chameides prefere pensar no experimento de um ano como sua contribuição ao estudo do consumismo.  O caminho para se tornar um rato de laboratório começou anos atrás, quando ele instalou lâmpadas fluorescentes, comprou um carro híbrido e começou a usar painéis solares.  Mas Chameides aprendeu sobre a quantidade imensa de lixo que está rapidamente enchendo a Terra, e começou a considerar guardar todo o seu lixo por um ano e, então, falou do assunto com sua mulher.  "Ele disse, 'eu gostaria de fazer esse experimento. Gostaria de manter meu lixo no porão por um ano'", lembrou sua mulher Aliza, que não se opôs, contanto que o projeto não a afetasse.  Ele determinou algumas regras básicas: apenas coletaria seu próprio lixo, não o de sua mulher ou de suas duas filhas. Riscos potenciais à saúde - como papel higiênico ou embalagens de peixe - seriam catalogados em seu blog e jogados fora. Embalagens de alimentos iriam para a compostagem, e todo o resto seria guardado, até mesmo os recicláveis.  Edward Repa, diretor dos programas ambientais da National Solid Wastes Management Society, pensou que o experimento fosse louco. "A maior parte das pessoas não quer lixo, ele não fica embaixo da pia nem por uma semana", disse. "Eu nunca ouvi falar de alguém que quisesse essas coisas." Chameides não é o primeiro a tentar um projeto longo como esse. Ele citou o exemplo de um escritor chamado No Impact Man, que está tentando viver com sua família em Nova York, por um ano, sem causar nenhum impacto ambiental.  Com as semanas, Chameides encontrou maneiras de diminuir seu lixo. Ele leva seus próprios talheres e pratos ao trabalho. Leva em conta, nas compras, o tipo de embalagem dos produtos e leva embalagens alternativas ao mercado para não gastar sacos plásticos.  Foto: AP Ele recrutou um exército de minhocas para comer o lixo do porão.  Em seu trabalho, sua cruzada inspirou mudanças. Tarefas são mandadas por e-mail e não impressas, e vêm com dicas ambientais. Ninguém mais usa garrafas plásticas e outros adotaram a compostagem e lâmpadas que consomem menos. Agora que o marco de seis meses passou, Chameides pensa sobe o dia em que poderá mandar tudo para um lixão. Ele espera se sentir "culpado e com remorso." Já sua mulher tem menos dúvidas sobre o dia em que ele finalmente jogará todo o lixo fora. "É melhor que ele faça isso", disse.

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