Eric Feferberg/AFP
Eric Feferberg/AFP

Hollande adverte que paz está em jogo na COP-21, em Paris

Presidente da França afirma que o fracasso na luta contra mudanças climáticas gerará migrações e risco de guerras

Andrei Netto e Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2015 | 09h34

PARIS - O presidente da França, François Hollande, advertiu nesta segunda-feira, 30, que a paz mundial está em jogo na 21ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas, cuja abertura acontece nas imediações de Paris. Mais de 150 chefes de Estado e de governo estão reunidos em Le Bourget para a abertura para traçar as políticas globais de luta contra o aquecimento global.

Segundo o líder francês, se as mudanças climáticas não forem Controladas, o risco de guerras vai crescer.

Hollande é o anfitrião da COP-21 e, por isso, fez o discurso de abertura do evento, pouco depois das 11 horas no horário local (8 horas em Brasília).

"Hoje vivemos um dia histórico. A França recebe 150 chefes de Estado e de governo e milhares de delegados de todos os continentes. Jamais uma conferência recebeu tantos representantes de tantos países", celebrou, lembrando que o encontro acontece três semanas após os atentados de Paris, que deixaram 130 mortos e 350 feridos.

O presidente lembrou que o ano de 2015 registra o recorde de aumento da temperatura média, o que torna a necessidade de agir ainda mais premente. "Como aceitar que sejam os países mais pobres, aqueles que emitem menos gases de efeito estufa?", questionou. "É em nome da justiça climática que nós devemos agir."

Para Hollande, a COP-21 representa uma esperança de que o acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, desenhe uma trajetória credível para conter o aquecimento global abaixo de 2ºC até 2100, ou até mesmo 1,5ºC, se possível.

"O aquecimento prenuncia conflitos e provocará migrações maiores do que as guerras. Estados correm o risco de não poder mais suprir as necessidades vitais de seus povos", advertiu. "O que está em questão nessa conferência do clima é a paz."

Ainda na abertura, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu um acordo universal e destacou a obrigação das nações mais ricas em financiar a luta contra o aquecimento global. "Os países desenvolvidos devem manter sua promessa e mobilizar US$ 100 bilhões", exortou o diplomata. "Cabe a vocês a sorte da COP-21. O futuro do nosso planeta está em suas mãos."

Mais conteúdo sobre:
FrançaBrasíliaONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.