Helicópteros da ONU resgatam bebês gorilas no Congo

Animais foram retirados de ártea de conflito,onde poderiam acabar mortos e devorados

Reuters

28 Abril 2010 | 19h19

Tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) usaram helicópteros para resgatar bebês gorilas numa zona de conflito onde eram ameaçados de serem capturados ou devorados.

 

Trata-se de gorilas das planícies do leste, uma espécie que vive apenas na República Democrática do Congo e está classificada como "ameaçada" pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Os quatro gorilinhas, que haviam sido resgatados de traficantes de animais em várias partes do leste do Congo, uma zona infestada de rebeldes, viajaram na terça-feira de Goma para o Santuário Kasugho, na província de Kivu do Norte.

 

"Se você usa veículos (terrestres), há grande chance de perder os animais, porque eles estão traumatizados. Usamos aeronaves porque realmente queríamos reduzir o nível de estresse deles", explicou à Reuters Benoit Kisuki, diretor da Conservação Internacional no Congo.

 

Kisuki disse que o resgate aéreo é parte de um projeto mais amplo para o combate ao comércio ilegal de bebês gorilas, problema intensificado nos últimos anos com a proliferação de grupos armados e a constante insegurança no leste do Congo.

 

"O objetivo é reintroduzi-los no seu ambiente natural", acrescentou. Os gorilas costumam ser apanhados, traficados e vendidos por milhares de dólares no mercado mundial, onde são vistos como mascotes exóticos. Outros são mortos e vendidos na própria região como "carne de caça".

 

O centro de pesquisas de Kasugho preparou uma área de 2 hectares onde os cientistas podem monitorar os gorilas nos seus preparativos para a volta à natureza. Seis outros animais, atualmente protegidos em Ruanda, devem ser embarcados em 10 de junho para se "socializarem" com o primeiro grupo, a fim de "formar uma família de dez" indivíduos, segundo Kisuki.

 

Os gorilas já viraram uma atração turística importante em Uganda e Ruanda, e podem no futuro se tornar um patrimônio econômico para o leste do Congo. Não há dados precisos sobre a quantidade de gorilas da planície do leste, e mais de 150 guardas florestais já foram mortos por caçadores nos cinco parques nacionais da região.

 

Um relatório patrocinado pela ONU disse no mês passado que os gorilas podem ficar quase extintos na Bacia do Grande Congo por volta de 2020, a não ser que sejam tomadas medidas urgentes para impedir a caça e proteger o habitat desses animais.

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