Hackers roubam US$ 4 milhões em créditos de carbono

E-mail falso dava acesso a dados de contas de seis empresas do mercado de emissões alemão

Com informações da Wired

10 Fevereiro 2010 | 16h21

Os cartões de crédito estão fora de moda. Os hackers já entenderam que os dados que realmente valem à pena roubar são os certificados de emissões de gases de efeito estufa. E foi exatamente isso que eles procuraram no final de janeiro, na Alemanha, quando obtiveram acesso não autorizado a contas online onde as empresas listam seus créditos de carbono, de acordo com informações do jornal alemão Der Spiegel.

 

Os hackers fizeram um ataque direcionado de phishing a empregados de várias empresas da Europa, da Nova Zelândia e do Japão, que fazem parte do German Emissions Trading Authority, a autoridade alemã de comércio de carbono.

 

De acordo com a BBC, estima-se que os hackers tenham roubado 250 mil créditos de carbono de seis empresas totalizando US$ 4 milhões. Pela fraude, uma das firmas chegou a perder US$2,1 milhões em créditos.

 

Não foi a primeira vez. Há um ano os hackers conseguiram penetrar dados do governo do Brasil sobre quotas para produtos florestais brasileiros e roubaram ilegalmente 1,7 milhão de metros cúbicos de madeira.

 

O golpe

Os funcionários receberam uma mensagem falsa por e-mail de que deveriam cadastrar novamente suas contas na German Emissions, onde são registrados os créditos de carbono e as transações de compra e venda.

 

O e-mail direcionava os funcionários a um link para uma página de internet falsa. Isso permitiu aos hackers roubar as informações de acesso às contas das empresas na German Emissions e transferir os créditos de carbono dessas empresas para duas outras contas controladas pelos próprios hackers.

 

Esses créditos foram revendidos por um valor não divulgado. Os compradores, que acreditaram que se tratava de uma transação legítima, não foram identificados.

 

A German Emissions Trading Authority suspendeu os acessos ao seu banco de dados por uma semana enquanto as investigações estavam em andamento.

 

Sob as leis do comércio de emissões, existe um limite de gases de efeito estufa que uma empresa pode emitir. Quando esse limite é excedido, as companhias podem comprar créditos de carbono de entidades que produziram menos gases poluentes do que o limite. Esse esquema gerou um mercado robusto de troca de créditos. Mais de oito milhões de toneladas de CO2 valendo US$ 130 bilhões foram comerciadas na Europa no ano passado.

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