Thierry Roge/Reuters
Thierry Roge/Reuters

Há sinais animadores de verba em cúpula do clima, afirma ONU

Yvo de Boer, secretário-geral da cúpula de Copenhague, vê disposição de muitos países ricos em contribuir

Reuters,

04 Dezembro 2009 | 15h59

Uma iniciativa liderada pelas Nações Unidas para arrecadar dinheiro a fim de ajudar os países pobres a lidarem com o aquecimento global está parecendo "bastante animadora", três dias antes da conferência do clima que reunirá 190 nações, afirmou Yvo de Boer, a principal autoridade para o clima da ONU, nesta sexta-feira, 4.

 

De Boer também expressou esperança de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anuncie um auxílio significativo em 9 de dezembro, quando visitar Copenhague perto do início das conversações, que vão de 7 a 18 de dezembro.

 

A arrecadação de dinheiro para ajudar os países pobres a afastarem suas economias dos combustíveis fósseis e a se adaptar às mudanças ambientais - tais como mudanças nas chuvas de monções, desertificação ou deslizamentos - é um dos grandes obstáculos para um novo pacto da ONU para combater a mudança climática.

 

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"No lado financeiro, acho que as coisas estão parecendo bastante animadoras", disse De Boer à Reuters numa entrevista por telefone, dizendo que países, incluindo membros da União Europeia, Austrália, Japão e Noruega, demonstraram disposição para contribuir.

 

De Boer quer fundos de US$ 10 bilhões anuais a partir de 2010-12 para lançar um acordo, com a concordância sobre os mecanismos para arrecadar muito mais até 2020 para ajudar os países pobres. "Eu espero que Obama anuncie uma contribuição financeira significativa", disse De Boer. "O que ela será, eu não sei".

 

Obama pediu US$ 1,2 bilhão para os fundos internacionais para o clima no orçamento de 2010, e um importante senador norte-americano, John Kerry, pediu US$ 3 bilhões para 2011. Alguns analistas sugerem que Obama poderá adotar a sugestão de Kerry em Copenhague.

 

Dinheiro fechado

 

De Boer disse que qualquer promessa de dinheiro "precisa ser definida numa lista muito precisa de quem contribuirá com o quê". "Uma promessa coletiva com uma responsabilidade não muito clara não vai ajudar", afirmou ele.

 

Ele elogiou as promessas de metas para as reduções dos gases-estufa de países incluindo China, EUA, Índia, Brasil e Indonésia nos últimos dias. E afirmou que o Secretariado de Mudança Climática estava tentando verificar qual seria o impacto que as propostas teriam sobre as emissões mundiais. "Parte do grande desafio para mim é sair de Copenhague com um acordo que funcione para os pequenos países em desenvolvimento também", afirmou De Boer.

 

De Boer também ficou do lado das nações em desenvolvimento em uma disputa sobre o destino do atual Protocolo de Kyoto, o único acordo legal para a redução de emissões de gases-estufa pelas nações desenvolvidas até 2012. Os EUA não ratificaram Kyoto. "Se você tem apenas um par de sapatos, não o jogue fora antes de obter um novo", disse.

 

As nações em desenvolvimento acusam as ricas de tentarem "matar Kyoto" ao fundi-lo em um novo e único acordo da ONU. Elas querem que os países mais ricos aceitem cortes maiores em uma nova fase de Kyoto enquanto os pobres adotam em separado um regime menos rígido.

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