Grupos definem metas de corte de metano na luta pelo clima

A poluição por dióxido de carbono é o dragão que o mundo quer abater na conferência da ONU sobre o aquecimento global, mas alguns ambientalistas disseram nesta sexta-feira que a redução das emissões de metano terá um efeito positivo mais rápido em algumas das regiões mais ameaçadas.

RICHARD COWAN, REUTERS

11 Dezembro 2009 | 12h48

O metano é liberado na atmosfera por minas de carvão, oleodutos, gasodutos, aterros sanitários, usinas de tratamento de esgotos e resíduos animais. De acordo com cientistas, é a segunda maior causa do aquecimento global, depois do carbono.

"O metano aquece 70 vezes mais que o peso equivalente em C02 ao longo de um período de 20 anos", disseram cientistas em estudo divulgado durante a conferência de clima da ONU em Copenhague.

Como o metano permanece na atmosfera por muito menos tempo que o dióxido de carbono -- menos de duas décadas, contra mais de um século no caso do C02 --, a redução imediata das emissões de metano teria um efeito rápido e importante de limpeza, segundo relatório patrocinado pela Força-Tarefa Ar Limpo, o Centro de Política Climática da Europa e a organização Ar Limpo-Planeta Frio.

"É especialmente crítico para as regiões que podem atingir limiares críticos que afetam o sistema climático global ou grande populações humanas, como as do Ártico ou da região do Himalaia", diz o relatório.

Os grupos pediram a criação de um Fundo Global de Metano público-privado que comece em 2010 a reduzir significativamente as emissões de metano ao longo de cinco anos. Pode ser preciso tão pouco quanto 100 milhões de dólares anuais, com o emprego de tecnologias já existentes para reduzir as emissões de metano, disseram.

O dinheiro ajudaria a liberar um conjunto de projetos de redução de metano que já estão prontos para entrar em ação.

Mas os ambientalistas disseram que "resistência política" em várias frentes vem dificultando os avanços na redução das emissões de metano. Disseram que alguns países temem que focar agora em reduções de curto prazo possa desviar a atenção do mundo dos cortes de C02 de longo prazo e que "os grandes emissores querem guardar a ação com o metano como uma parte de uma cesta barata de opções para trocar por CO2."

Os negociadores em Copenhague esperam chegar a um acordo político até o final da próxima semana que coloque 192 países numa rota de reduções importantes de poluição por carbono gerada por indústrias, veículos e outras fontes nas próximas décadas.

Sua meta é impedir que o planeta fique mais que 2 graus Celsius mais quente que na era pré-industrial.

Vários outros grupos ambientais divulgaram estudos em Copenhague esta semana promovendo os benefícios da preservação e ampliação de áreas de terra protegidas para complementar a redução dos gases estufa, como parte da luta global contra as mudanças climáticas.

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