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Grupo faz performance sobre o projeto Cidade Limpa na Virada Cultural

‘Coletivo Urubus’ quer que o público reflita sobre o distanciamento do homem urbano da natureza

Carolina Spillari, estadao.com.br

14 Maio 2010 | 20h39

SÃO PAULO - O Coletivo Urubus - grupo de artes cênicas que mistura dança, teatro, música, circo, grafite e artes visuais - se apresenta na Virada Cultural nesse final de semana tendo como tema as relações entre corpo, cidade e natureza. A proposta é refletir sobre o projeto Cidade Limpa, da Prefeitura de São Paulo. A performance acontece entre as 19h45 e a 1h45 nas proximidades do Pátio do Colégio (esquina da Rua São Bento com a Rua Miguel Couto).

 

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Os atores começam a apresentação com os corpos pintados de cinza. Eles vão ganhando cores com a intervenção do público. A possibilidade de participação leva a plateia a ser parceira e vivenciar a performance. "A troca e a abertura do espetáculo para as pessoas são tendências contemporâneas de ações cênicas. Seu uso demonstra um diálogo do grupo com o seu tempo", endossa o professor de teoria de Artes Cênicas da USP, Luiz Fernando Ramos.

 

Para o Coletivo Urubus, o raciocínio é simples: quando a cidade fica mais cinza e menos verde o homem se distancia dele mesmo, pois sua raiz é a terra. "Pintamos nossos corpos para revelar nosso traço natural, já que o corpo tem uma relação sistêmica com o meio ambiente. O homem é parte do meio", diz a atriz Carol Pinzan.

 

A ideia é tirar as pessoas do 'automático' e instigar cada um dos espectadores a buscar sua 'herança ancestral'. "Quanto mais longe da natureza, mais desconectado o ser humano está de si mesmo. Até o grande empresário tem seu iate, para passear no mar", exemplifica a atriz.

 

Ancestralidade e espaço

 

O Coletivo Urubus existe há três anos e tem dez integrantes fixos. O último trabalho do grupo foi realizado no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, onde o Coletivo ficou um mês estudando as pinturas rupestres. Na volta, decidiram pintar na cidade as mesmas ilustrações rupestres pré-históricas que viram no Piauí. "Nossa surpresa foi nos depararmos com garis que não sabiam diferenciar pichação de grafite", conta Carol Pinzan. Segundo a atriz as pessoas não parecem estar preparadas para conviver com a arte no espaço público.

Para o professor da USP, Luiz Fernando Ramos, a estrutura conceitual do Coletivo é holística e coerente. "Há uma busca de consciência pelo espaço, seja na natureza, seja numa situação urbana."

O diferencial do Coletivo Urubus no tocante à conscientização ambiental é a postura de introspecção que induz as pessoas a uma atitude de concentração. "O grupo leva as pessoas a incorporar uma consciência espacial. Não é um discurso de superfície sobre meio ambiente, mas sim sobre a condição das pessoas no meio", pontua o professor de Teoria das Artes Cênicas.

 

Mais sobre o Coletivo Urubus:  http://www.coletivourubus.blogspost.com/

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